Boatos virtuais não ajudaram candidatos

Campanhas de Dilma e Serra na internet ficaram aquém do esperado; Marina acertou o tom na rede

Lucas de Abreu Maia, de São Paulo,

01 de outubro de 2010 | 21h34

Quando, no ano passado, o Congresso aprovou às pressas a minirreforma eleitoral, havia uma preocupação principal: garantir que a internet fosse regulamentada a tempo das eleições de 2010. Ao fim da campanha, porém, a web não foi nem de longe o exemplo de democracia alardeado pelos parlamentares. Ao invés de mobilizar o eleitorado brasileiro em torno de propostas e ideologias, tornou-se palco de boataria e embate - por vezes feroz - de militantes.

Inicialmente vista como uma forma barata de fazer campanha, a web rapidamente converteu-se em fonte de preocupação para os candidatos. Tanto Dilma Rousseff (PT) quanto José Serra (PSDB) foram vítimas de boatos divulgados na rede.

Passaram também por saias-justas quando aliados criticaram suas campanhas publicamente pelo Twitter. Ao fim da corrida, no entanto, a avaliação nas três campanhas é de que a internet teve papel importante, ainda que aquém do esperado. Para os petistas, Dilma seria a candidata que menos se beneficiaria da rede. A campanha avaliou que o seu eleitorado de base - sobretudo a nova classe C - continuaria usando a televisão como principal fonte de informação. A estratégia, portanto, foi de usar o site de Dilma como ligação oficial com o eleitor, além de desmentir boatos surgidos na rede e prover material de campanha para a militância.

Alguns desses boatos chegaram a preocupar a cúpula do PT. Um e-mail anônimo afirmava que Dilma não poderia entrar nos Estados Unidos por ter participado do sequestro de um embaixador americano durante a ditadura militar - informação falsa. Outro texto apócrifo afirmava que a petista é favorável à descriminalização do aborto e que teria dito que “nem Cristo” lhe tiraria a vitória. A página oficial da presidenciável publicou ao longo da campanha textos contestando as informações.

A campanha virtual de Serra, por sua vez, foi avaliada como errática por aliados. No começo da corrida presidencial, seu site também adotou tom mais programático. No fim de agosto, porém, o PSDB contratou o americano Ravi Singh - o “guru indiano” - para repensar a comunicação na web. O site foi reformulado, priorizou cadastros burocráticos e uma ferramenta de recrutamento de eleitores. A estratégia foi criticada dentro e fora da campanha e Singh foi afastado.

Para a coordenadora da campanha de Serra na internet, Soninha Francine, “o resultado foi melhor do que o esperado”. “Eu achava realmente que as pessoas estavam superestimando um pouco o impacto da internet, mas me surpreendi. A internet tem, sim, impacto na eleição porque o número de internautas engajados politicamente é maior que na população em geral.”

Para proteger Serra dos boatos que circulavam na rede - entre eles que o Bolsa-Família e os concursos públicos acabariam -, a campanha criou a Central de Boatos para coletar mensagens negativas na rede. Os desmentidos foram feitos por Serra na TV e por meio de entrevistas.

Mais poupada pela guerrilha virtual, Marina investiu nas redes sociais e adotou uma estratégia de fragmentar a comunicação. O site oficial ficou responsável por trazer material de campanha, o Twitter foi usado para a comunicação com os jovens, o Facebook para o contato com intelectuais e o Orkut para a aproximação com a classe média. Deu certo. Marina foi a candidata com mais acessos nas redes sociais e a presidenciável mais buscada no Google.

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