BNDES rechaça suspeitas sobre empréstimo negado

Representante disse que financiamento foi negado pelo banco depois de ele romper um acordo para o suposto pagamento de comissões à empresa do filho de Erenice

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 16h45

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sustentou desta quinta-feira, 16, em nota, que o pedido de financiamento para um projeto da empresa EDRB foi rejeitado por critérios técnicos. O banco negou influência de um suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil na decisão, como afirmou o empresário Rubnei Quícoli à Folha de S.Paulo na edição desta quinta.

 

Representante da EDRB, ele disse que o financiamento foi negado pelo banco pouco depois de ele romper um acordo para o suposto pagamento de comissões à empresa de consultoria do filho da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que pediu demissão nesta quinta-feira, 16.

 

Segundo o BNDES, o pedido de financiamento feito pela EDRB foi de R$ 2,25 bilhões, e não R$ 9 bilhões como informou a reportagem, para a construção de um parque de energia solar no Nordeste. O projeto foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do banco, formado pelos superintendentes da instituição, funcionários de carreira que exercem funções técnicas.

 

Os 14 superintendentes presentes à reunião de 29 de março teriam negado o financiamento porque o valor requerido foi considerado incompatível com o porte da EDRB. Além disso, informou o BNDES, a empresa não apresentou garantias e a definição de um local para o empreendimento. Dessa forma, segundo o banco, a proposta não cumpria os pré-requisitos mínimos para a concessão do crédito.

 

"Repudiamos a insinuação de que o banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES", reagiu a instituição, no comunicado

 

"Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à diretoria do banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado", conclui.

 

Leia a nota na íntegra:

 

"Repudiamos a insinuação de que o Banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES. O projeto em questão foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do BNDES, órgão interno do Banco, formado por seus superintendentes. A aprovação por esse colegiado é condição básica e necessária para que qualquer pedido de apoio financeiro seja encaminhado para análise. Na reunião semanal do Comitê ocorrida em 29 de março deste ano - e na qual o projeto em questão foi apenas um dos itens discutidos -, o pedido foi negado. A decisão foi tomada pelos 14 superintendentes presentes à reunião, todos funcionários de carreira da instituição."

 

"O projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito."

 

"Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à Diretoria do Banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado."

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