BNDES precisa de mais transparência e competição, diz 'Economist'

Revista britânica afirma que crescimento do banco prejudica o desenvolvimento do setor financeiro.

BBC Brasil, BBC

06 de agosto de 2010 | 05h27

O Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, precisa de mais transparência e competição, afirma revista britânica The Economist que chega às bancas nesta sexta-feira.

Em uma análise sobre o banco às vésperas das eleições, a Economist comenta críticas e sucessos, afirmando que apesar dos méritos, o BNDES corre o risco de crescer demais.

"A taxa de novos empréstimos do BNDES é agora muito maior do que a do Banco Mundial. Os empréstimos brutos chegaram a R$ 137 bilhões em 2009, o dobro de 2007. Suas conexões políticas também são impressionantes", afirma a publicação.

Essas conexões políticas explicariam parte das críticas, afirma a revista, lembrando que o banco está envolvido na campanha eleitoral para outubro.

Mas a principal razão seriam as mudanças nos financiamentos do banco durante o ápice da recessão. "O governo usou o BNDES para injetar dinheiro na economia durante a crise financeira, com resultados dramáticos. Entre setembro de 2008 e janeiro de 2010, o crédito de bancos privados cresceu menos de 10%. O crédito dos bancos públicos aumentou em 50% e o BNDES responde por metade deste aumento", afirma a reportagem.

Segundo a revista, os críticos levantam três pontos principais: em primeiro lugar, o banco cresceu demais e neste ano deve financiar 40% de todos os investimentos em infraestrutura e manufatura no Brasil.

Além disso, seus empréstimos são subsidiados e as contas "turvas". "Ninguém sabe ao certo o valor do subsídio, mas, como um guia, o BNDES empresta a uma taxa de 6%, muito abaixo dos títulos do governo com prazo de 10 anos, que garantem uma taxa de 12%."

Em terceiro lugar, os críticos afirmam que o BNDES empresta para as "pessoas erradas", entre elas a Petrobras e grandes empresas privadas, criando "favoritos" do governo.

O Banco nega as críticas, mas, segundo a Economist, há dois pontos que não podem ser evitados:

"Em primeiro lugar, o BNDES parece ter aumentado seus empréstimos por muito tempo. Entre 2001 e 2008, ele agiu como contra-peso para o ciclo do crédito. Mas este padrão mudou dramaticamente. Mesmo com a recuperação econômica, os empréstimos do BNDES continuam a subir."

Em segundo lugar, afirma a revista, o BNDES está prejudicando o desenvolvimento do setor financeiro. "No momento, o sistema bancário do Brasil é peculiar: bancos comerciais emprestam ao governo e oferecem crédito aos consumidores, mas não sontrolam muitas dívidas de empresas, que na sua maioria se financiam a si próprias com seus lucros."

E o BNDES corre praticamente sozinho no setor de empréstimos a longo prazo para empresas, diz a Economist.

Mas enquanto empresas como a Petrobras, Vale e JBS continuarem recebendo empréstimos subsidiados do banco, o setor privado não tem por que oferecer este serviço, afirma a reportagem.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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