Bloquinho sai rachado da disputa

Unidas no Congresso, mas adversárias municipais, siglas tentam superar ?efervescência? eleitoral

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

O PSB, o PDT e o PC do B brigaram tanto nas eleições municipais Brasil afora que por pouco o chamado bloquinho, que reúne os três partidos na Câmara dos Deputados, não se dissolveu. Nas contas do líder do PSB, deputado Márcio França (SP), o trio só conseguiu se juntar em 30% dos municípios em que disputou a corrida municipal.Ainda assim, dirigentes das três legendas querem superar a "efervescência" das eleições e levar adiante a parceria, arquivando a imagem de "bloquinho Sonrisal", que se desfaz à primeira tempestade do relacionamento."Temos que aprender a lamber as feridas e tocar para frente", prega França, em defesa da manutenção da parceria no Congresso Nacional. Ele diz que o grande aprendizado de seus 30 anos de vida pública foi que, em política, "nada fecha as portas". E nada melhor para curar as feridas eleitorais do que a perspectiva de poder que só o bloquinho é capaz de proporcionar aos cinco partidos que dele participam: além do PSB, PDT, PC do B, integram o grupo o PRB e o PMN.Juntos, eles somam 78 deputados - a terceira maior força política da Câmara, logo atrás do PMDB e do PT. Isso significa que, na partilha de todos os postos de poder da Casa, o bloquinho é o terceiro da fila a fazer sua escolha, o que também vale para o rodízio na escolha dos relatores dos projetos em tramitação.Isolado, o PSB - que tem a maior bancada entre os cinco partidos, com 30 deputados - não tem força sequer para obstruir uma votação. Um simples pedido de verificação de quórum, estratégia prevista no regimento que tem o condão de paralisar votações, exige que o líder represente no mínimo 31 votos."O futuro do bloco não pode ser dimensionado pela eleição municipal", concorda o presidente nacional do PDT e líder da bancada federal, deputado Vieira da Cunha (RS), convencido de que, no Congresso, o bloquinho é "um eixo numericamente irrefutável". Ele acredita que o mais importante, que é o diálogo e a boa relação entre os comandos partidários, está preservado.Recém-eleito prefeito de Olinda, o deputado Renildo Calheiros (PC do B), que já foi líder do bloco, admite que será preciso administrar a "ressaca" das disputas pelo País, mas pondera que os cinco partidos saíram fortalecidos das urnas e que o bloco vale a pena. "A eleição municipal é dispersiva, por natureza. Eu mesmo tive de enfrentar o PDT na eleição", recorda Renildo. "Agora, que ficaremos livres da tensão eleitoral, é que virá o momento do bloco."Mas os três partidos ainda estão administrando a "efervescência" das mágoas provocadas ao longo da campanha. O que os socialistas mais lamentam é a falta de apoio do PC do B ao candidato do PSB a prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda. Além de disputar contra o socialista no primeiro turno, a candidata comunista Jô Moraes ficou com o PMDB de Leonardo Quintão nesta segunda rodada.Em Porto Alegre, eles também estão separados. O PDT está na vice do prefeito José Fogaça (PMDB), que disputa a reeleição contra a petista Maria do Rosário, com o apoio do PSB e do PC do B.

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