Bloquinho ameaça entrar na briga da sucessão na Câmara

Insatisfeito com o PT e o PMDB, grupo, que reúne 76 deputados cogita lançar candidato à presidência da Casa para eleição do ano que vem

Denise Madueño e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A disputa pela presidência da Câmara começa a promover uma reengenharia partidária. Insatisfeito com o PT e com o PMDB, o chamado bloquinho - que reúne as bancadas do PSB, do PDT, do PC do B, do PRB e do PMN - ameaça lançar candidato à sucessão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ao mesmo tempo, setores do PPS e PSDB articulam a fusão dos dois partidos, fato que aumentaria o cacife dos tucanos e resgataria o PPS da extinção.Com uma bancada de 76 deputados, o apoio do bloquinho, que faz parte da base aliada do Planalto, é cobiçado pelos candidatos à presidência Michel Temer (PMDB-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI). Ao mesmo tempo, porém, os três partidos articulam com outras legendas um nome alternativo para a disputa. Até o DEM está no radar das negociações do bloquinho.O DEM, que esteve nos últimos anos na posição privilegiada de aliado com o PSDB, não quer ver o PMDB na presidência da Câmara, de olho nas eleições de 2010. Daí sua disposição de se aliar ao bloquinho para ter um candidato.A avaliação do DEM é que o fortalecimento do PMDB reduziria o cacife do partido na aliança eleitoral para a Presidência da República. Tanto o PSDB quanto o PT almejam o PMDB como vice na chapa presidencial, depois que o partido cresceu nas eleições municipais.O bloquinho atribui ao PMDB, e em especial a Temer, a derrota de Aldo Rebelo (PC do B-SP) para Chinaglia na eleição passada. Foi o apoio de Temer que deu a vitória ao petista. O bloquinho, por sua vez, está ciente de que apenas com o DEM não terá forças para vencer o peemedebista e por isso busca conversar com o PSDB e com partidos menores, como o PR e o PP. Os dois partidos têm nomes já colocados na disputa. Além de Ciro Nogueira, o deputado Milton Monti (PR-SP) está disposto a entrar na corrida sucessória. O objetivo das articulações do bloquinho é atingir em torno de 300 deputados. Um bloco desse tamanho teria o poder de indicar cinco dos sete cargos da Mesa.FUSÃOO PSDB está dividido. Enquanto parte defende o apoio institucional ao maior partido - o PMDB -, parte aceita discutir outras possibilidades. Uma eventual fusão do PSDB com o PPS daria mais cacife aos tucanos nas articulações. Enfraquecido nas eleições municipais e diante da perspectiva de uma reforma política, a junção com o PSDB seria a forma de sobrevivência do PPS.O presidente da legenda, Roberto Freire, nega que haja negociações para essa fusão, mas o assunto tem sido debatido internamente no PPS. Essa união entre as legendas teria como subproduto mais influência na disputa da Mesa da Câmara.

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