Bloqueio do PFL à CPMF pode custar R$ 4,5 bi

O governo poderá perder até R$ 4,5 bilhões da receita da CPMF neste ano, se o PFL mantiver, até o final de maio, o bloqueio à prorrogação da cobrança da CPMF. O partido condiciona seu voto pela CPMF à liberação de emendas do Orçamento que destinam verbas para projetos do interesse dos seus parlamentares. A estratégia obedece ainda à conveniência de a legenda demonstrar que já se comporta como um partido que não tem mais compromissos políticos de aliado do governo.A estratégia, até aqui vitoriosa, ganhou força com a aplicação das novas regras regimentais que obrigam a votação prioritária de medidas provisórias sobre qualquer outra matéria. A idéia é manter o bloqueio até final de maio, prazo que coincidirá com a liquidação, pelos ministérios, dos recursos orçamentários comprometidos até o final do ano passado, mas ainda pendentes de liberação. São os chamados "restos a pagar", ou seja, gastos autorizados e não realizados no exercício anterior, e que só podem ser resgatados até 31 de maio. Nesse contexto e com a escassez de recursos crônica, o PFL teme receber do governo, na condição de ex-aliado, um tratamento discriminatório, que atinja suas bases políticas em ano eleitoral. A estratégia de adiar vao máximo a prorrogação da CPMF é uma amostra de como o PFL pode se comportar durante a campanha eleitoral, na tentativa de impor dificuldades objetivas ao candidato do PSDB, José Serra. Para tanto, não deve ser descartada a hipótese de alianças pontuais, em plenário, com o PT, contra a aprovação de matérias que sejam do interesse tucano. "Nós podemos fazer um acordo com o PT para votar a CPMF só depois da eleição", confirma um graduado dirigente do PFL. Nesse contexto se insere, por exemplo, a oposição ao fim da chamada "noventena" - intervalo legal de 90 dias entre a aprovação da CPMF e sua vigência. O PFL opera com a perspectiva política de forçar o presidente Fernando Henrique Cardoso a se manter neutro na campanha sucessória, ganhar tempo para esgotar as possibilidades com a candidatura Roseana Sarney e examinar alternativas como a de apoiar o candidato do PPS, Ciro Gomes, esta a mais remota.

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