Bloqueadores de celular visitam presídio

Fabricantes de bloqueadores de sinal de telefones celulares visitaram hoje o Núcleo de Custódia da Papuda. Eles foram levados por representantes do Ministério da Justiça que, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) e operadores de telefonia celular, analisam a adoção desses dispositivos em presídios brasileiros. A idéia de bloquear o sinal dos celulares em presídios partiu do ministro da Justiça, José Gregori, depois da série de rebeliões organizadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), no início do ano. Os líderes combinaram os motins por celular.Os testes nas cadeias deverão ocorrer no começo de agosto, conforme adiantou o diretor do Departamento Penitenciário (Depen) do Ministério da Justiça, Ângelo Roncale. Nos próximos dias, técnicos da Justiça e da Anatel organizarão os testes. "Vamos aprofundar o planejamento técnico com as empresas prestadoras de telefonia celular e as secretarias de Justiça locais", disse Julio Cesar Fonseca, da Gerência Operacional de Certificação da Anatel.A proposta do governo é realizar testes em presídios situados em áreas urbanas, como o Carandiru, em São Paulo, e também de pouca concentração populacional, a exemplo da Papuda. Com isso, pretende-se verificar o alcance do efeito: se há interferência em celulares de moradores vizinhos a cadeias, e se é eficiente para as duas bandas da telefonia celular em funcionamento.Os fabricantes garantiram hoje que seus dispositivos conseguem interferir apenas na área pré-determinada, sem prejuízo para a vizinhança. "Meu limite vai até o muro", garantiu José Maria Sontjulia, da empresa brasileira Datamega, que presta serviço em cadeias, hospitais, salas de concerto e bibliotecas na Alemanha, Franca, Rússia e Israel. O representante da empresa francesa Nouances, Pierre Planchet, diz ser necessária definição clara da área que se quer atingir, e também informações sobre as freqüências utilizadas pelas operadoras. A empresa oferece equipamento para a seção especial da polícia francesa que combate drogas e terrorismo, duas prisões na Bélgica e um hospital em Israel.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.