Epitacio Pessoa/AE
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Blitz petista pressiona procurador de São Paulo

Deputados têm audiência com Fernando Grella e tratam de apuração em Campinas

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 23h00

Em estado de alerta com os rumos da investigação que coloca nomes ligados ao partido no centro de suposto esquema de corrupção e desvio de verbas públicas na Prefeitura de Campinas (SP), o PT partiu para o tudo ou nada e bateu às portas da Procuradoria-Geral de Justiça. Cinco deputados da bancada estadual da sigla se reuniram na tarde desta terça-feira, 24, com Fernando Grella Vieira, o procurador-geral.

 

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Eles disseram aos repórteres, à saída da audiência, que o partido não vai admitir "especulações políticas" em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi citado em escuta telefônica da inteligência do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil em meio à devassa na gestão do prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), amigo de Lula.

 

O encontro com o procurador-geral durou 40 minutos. Os deputados pediram explicações sobre os motivos que levaram ao requerimento de prisão temporária do vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), foragido desde sexta feira. "Apoiamos irrestritamente a investigação, mas não existe um único dado que justifique o pedido de prisão do companheiro Demétrio, que tem uma história vinculada aos movimentos sociais e não pode ser condenado publicamente", protestou o deputado Edinho Silva, presidente estadual do PT.

 

Grella asseverou "irrestrito apoio ao trabalho firme, sereno e imparcial desenvolvido pelos membros do Ministério Público no sentido do esclarecimento da verdade e da correta aplicação da lei, em cumprimento ao papel da instituição".

 

A interceptação em que o nome de Lula é citado faz parte de relatório encaminhado pelo Ministério Público à Justiça. Trata-se de diálogo entre um advogado e Luiz Augusto Castrillon de Aquino, ex-presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), foco da corrupção, segundo a promotoria. Eles citam o nome do empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo e anfitrião do ex-presidente. Dizem que Bumlai estaria disposto a fazer "delação premiada para proteger Lula".

 

"É uma acusação completamente infundada, até criminosa", reagiu o advogado Mário Sérgio Duarte Garcia, defensor de Bumlai. Guilherme, filho do empresário, está indignado. "Vamos tomar as medidas judiciais cabíveis para reparar esse dano. Meu pai jamais esteve com essas pessoas citadas na investigação."

 

Especulação. "É um atentado ao Estado democrático de Direito fazer especulação sobre alguém que comentou, que falou algo por ouvir dizer", protesta Edinho Silva. "O pior que pode acontecer é a especulação política. É um desrespeito ao Lula, um presidente que saiu da administração pública reconhecido pela grande maioria do povo brasileiro. Amanhã isso vai virar regra e a sociedade vai ficar toda exposta a esse tipo de situação."

 

Acompanharam o presidente da sigla os deputados estaduais Enio Tatto, líder do PT na Assembleia, Antonio Mentor, Ana Perugini e Gérson Bittencourt. Eles garantiram que não foram pressionar o chefe do Ministério Público. "O procurador-geral não se submete a pressões, viemos buscar mais informações e esclarecimentos", disse Edinho. "O que o PT não aceita é a execração, a exposição pública do nosso companheiro que não tem nenhuma ligação com os fatos em apuração. Não se deve partidarizar uma investigação. Dr. Hélio até onde sei sequer é mencionado na investigação."

 

 

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