Blairo Maggi admite que não soube lidar com ambientalistas

'Dei algumas respostas que não deveria ter dado. Sobre essas respostas se construiu uma imagem que não é verdadeira', afirmou

FÁTIMA LESSA, Agência Estado

31 de março de 2010 | 16h29

O ex-governador Blairo Maggi (PR) que na manhã desta quarta-feira, 31, transferiu o cargo para o seu vice Silval Barbosa (PMDB) reconheceu que, há sete anos, quando assumiu o governo (1º mandato), não soube lidar com a questão ambiental e não soube se posicionar quando os momentos exigiram respostas imediatas. "Entrei no meio de um turbilhão. Comecei a receber críticas e dei algumas respostas que não deveria ter dado. Fiz comentários que passaram do limite e sobre essas respostas e comentários se construiu uma imagem do Blairo Maggi que não é verdadeira".

 

Apesar das críticas de ambientalistas, Maggi nomeou como seu primeiro secretário de estado do Meio Ambiente, o deputado Moacir Pires, membro da bancada ruralista na Assembleia Legislativa, e preso durante a operação Curupira em junho de 2005. Pires foi denunciado pelo MPF como "participante de uma quadrilha ambiental que atuava dentro da Sema".

 

Maggi disse que se sentia aliviado e acredita ter cumprido a sua missão ao longo destes anos no comando do governo, mas admitiu que gostaria de tido tempo e orçamento para realizar mais. "Todas as respostas à sociedade foram dadas", afirmou. O ex-governador, que é pré-candidato ao Senado, informou que vai descansar nos próximos 30 dias com a família para depois começar a campanha.

 

Zoneamento 

 

O ex-governador saiu sem conseguir aprovar a lei de Zoneamento Socioeconômico Ecológico de Mato Grosso (ZSEE) cujo projeto foi completamente alterado por um substitutivo proposto por lideranças partidárias da Assembleia. Sem querer entrar em atrito com a Assembleia, o governador disse que a legislação tem duas questões: a política e a social. "A social eu fiz, a política cabe à Assembleia e agora cabe ao Silvar sancionar ou não o que for aprovado pela casa legislativa", disse.

 

Apesar das críticas dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e ambientalistas, a Assembleia aprovou, na terça-feira, 30, em primeira votação, por treze votos a favor e um contra, o projeto substitutivo integral. A votação ocorreu no último dia de mandato de Maggi, que pretendia sancionar o projeto como um dos últimos atos de suas gestão. O último ato de Maggi como o governador foi a assinatura da homologação do processo licitatório para as construção do estádio onde serão realizados os jogos da Copa 2014, também na terça-feira.

 

A cerimônia de transferência de cargo e posse do novo governador de Mato Grosso foi acompanhada por centenas de pessoas que compareceram à Assembleia e ao Centro de Convenções Pantanal, em Cuiabá. Também nesta quarta-feira, 31, às 20 horas, o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB) passa o cargo ao vice, Chico Galindo (PTB) em solenidade oficial na Câmara Municipal. Antes, foi realizada uma grande festa de despedida na praça Alencastro, sede da prefeitura. O tucano sai para disputar o governo do Estado.

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