Celso Junior/AE
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Blairo diz que ‘não tem interesse’ nos Transportes e PR quer Pagot de volta

Planalto convida o senador de MT para a vaga aberta com a demissão de Alfredo Nascimento, mas ele, de imediato, recusa assumir a pasta, sob suspeita de irregularidades; partido trabalha para manter ex-chefe do Dnit, afastado pela presidente, no governo

Christiane Samarco, João Domingos e Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O senador Blairo Maggi (PR-MT), que era a aposta mais forte da presidente Dilma Rousseff para substituir o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) no Ministério dos Transportes, disse na quinta-feira, 7, aos líderes do PR e a assessores do Planalto que "não está interessado" em assumir a pasta. Apesar da resposta, nem o Planalto nem a bancada do PR tomaram a informação como um não definitivo e disseram que as negociações em torno do nome do senador prosseguem.

 

A presidente Dilma continua tendo o nome do interino Paulo Sérgio Passos como uma alternativa pronta para ser efetivada. O PR resiste a essa opção.

 

Da parte do PR, tão importante quanto escolher o nome do novo ministro dos Transportes é aproveitar a negociação para reabilitar o afastado presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot. Os líderes querem levá-lo de volta ao cargo depois dos depoimentos da próxima semana, no Senado e na Câmara.

 

Blairo recebeu o convite da presidente para assumir os Transportes numa conversa por volta das 21h de quarta-feira. O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), confirmou na quarta-feira que ele era o primeiro da lista do Planalto e do partido, mas a legenda quer ganhar tempo e só voltará a conversar com a presidente Dilma na semana que vem, depois que Pagot for ouvido na terça-feira, 12, às 9h, no Senado, e na quarta-feira, 13, na Câmara.

 

A expectativa do partido é de que ele se saia bem nas explicações ao Congresso e não é por acaso que Blairo está pessoalmente empenhado na reabilitação do amigo - ainda que a volta de Pagot não esteja sendo posta como condicionante para aceitar o convite. Ao longo dos oito anos de mandato à frente do governo de Mato Grosso, Pagot esteve sempre com Blairo e em postos relevantes: foi seu secretário de Infraestrutura, chefe da Casa Civil e secretário de Educação.

 

Isso explica o porquê de, em conversa na terça-feira com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o senador ter protestado com veemência contra o afastamento de Pagot. "Não se pode desonrar um homem daquele jeito", desabafou o senador. Oficialmente, no entanto, o líder Portela informou que seu colega de partido precisa de tempo porque está avaliando a situação.

 

Dúvidas jurídicas. A dúvida é se há impedimento jurídico por conta do envolvimento de empresas dele com o governo. O líder citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Marinha, já que uma empresa do senador opera na área da navegação e do transporte fluvial para escoar a soja produzida.

 

Um dirigente do PT admite que a preferência pessoal da presidente seria por Paulo Sérgio Passos, por se tratar de um quadro técnico eficiente que conhece a fundo a estrutura do Ministério. Mas, sabendo das resistências da cúpula do PR, que não vê no ex-subordinado de Nascimento um representante da legenda no Ministério, a presidente decidiu buscar um nome na bancada que pudesse obter o apoio do conjunto do partido.

 

Além disso, como as denúncias de um suposto esquema de corrupção com pagamento de propina nos Transportes envolvem diretamente o secretário-geral do PR e deputado Valdemar Costa Neto (SP), o Planalto não quer um novo ministro que tenha ligações com o acusado.

 

Ao contrário, a presidente deixou claro a mais de um interlocutor que quer "extirpar" a influência de Costa Neto sobre os Transportes. Também pesa em favor de Blairo a conveniência de escolher um senador que possa se compor com o colega Nascimento, agora de volta ao Senado.

 

Blairo conversou com o ex-ministro Nascimento e com os líderes do Senado e da Câmara. Ao final do dia foi para o Mato Grosso, de onde disse "não".

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