Dida Sampaio/AE-12/7/2011
Dida Sampaio/AE-12/7/2011

Blairo dá ultimato e pede que governo defina futuro de Pagot

Para senador, é um ‘desrespeito’ com diretor do Dnit retardar o anúncio de decisão já tomada por conta de suas férias

Christiane Samarco e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O senador Blairo Maggi (PR-MT) passou a cobrar da presidente Dilma Rousseff uma definição sobre o destino do diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que está em férias até o dia 4 de agosto. Embora a lei não permita demissão de servidor em férias, o senador entende que a questão é política, e não jurídica.

 

Para Blairo, que é padrinho de Pagot, é um "desrespeito" retardar o anúncio de decisão já tomada. "Se querem mandar o cara embora mesmo, então mandem logo. O que eu não aceito é que vençam os 30 dias de férias dele, não apurem as denúncias ou não encontrem nada que o incrimine, e o mandem embora assim mesmo", apelou Blairo à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, antes de deixar Brasília, na quinta-feira, 15, para o recesso parlamentar de julho.

 

Apelo semelhante foi feito a Dilma, mas em outro tom. Blairo solicitou pressa no aviso prévio da demissão, caso ela fosse inevitável, na mesma conversa em que a presidente lhe informou que não consultaria o PR para nomear Paulo Sérgio Passos como ministro dos Transportes, em substituição a Alfredo Nascimento. Apesar dos pedidos pela permanência de Pagot, Dilma está irredutível. Ela não gostou da forma como o subordinado desafiou sua autoridade, fazendo ameaças veladas pela imprensa e, mais recentemente, impondo condições para ficar.

 

Nem mesmo os amenos depoimentos de Pagot na Câmara e no Senado fizeram Dilma mudar de ideia. Classificado até por amigos como "homem-bomba", que sabe segredos do governo, Pagot não apontou o dedo para ninguém ao ser inquirido. No diagnóstico da presidente, porém, o retorno dele ao Dnit pareceria, além de tudo, uma espécie de prêmio pelo silêncio.

 

"A presidente tem informações sobre o superfaturamento de obras dos Transportes e nas autarquias. Ela está esperando as investigações da Controladoria-Geral da União, mas já tomou sua decisão", confidenciou ao Estado um ministro que conversa frequentemente com Dilma.

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