Bispos retiram apoio ao MST

O Movimento dos Sem-Terra (MST) perdeu o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na intermediação dos diálogos envolvendo temas ligados a conflitos no campo e liberação de recursos. O presidente da CNBB, dom Jayme Chemello, anunciou hoje que os bispos não encontraram "clima de verdade", tanto no MST quanto no governo, para continuar a intermediação das conversas do movimento com o Ministério do Desenvolvimeno Agrário. O setor de inteligência do governo avalia que uma das táticas dos sem-terra, a partir de agora, será invadir ou ameaçar ocupar propriedades de pessoas famosas. A CNBB, de cujos movimentos surgiu o MST, era uma das poucas organizações que ainda vinham dando apoio aberto ao grupo, principalmente nas negociações com o governo federal. A saída da igreja da intermediação dos diálogos representa, na prática, um distanciamento que já vinha ocorrendo ao longo dos últimos anos, quando o movimento começou a perder apoio de uma parcela do bispado. "Saímos da confusão dos diálogos", anunciou Dom Chemello. "Não encontramos clima de verdade". O presidente da CNBB deixou claro que a entidade não apóia os extremismos, seja de que lado vierem. "O MST atira um pouco para ver se pega uma parte", disse ele, que até considera isto normal, em se tratando de movimento social. Mas a entidade não estaria disposta a se desgastar por causa do conflito. "Saímos quando vimos que nossa missão estava cumprida", disse dom Chemello.

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