Bispos condenam distribuição da pílula do dia seguinte

Os bispos católicos do Estado de São Paulo divulgaram uma nota pastoral condenando a distribuição da "pílula do dia seguinte" pela rede pública de saúde. O medicamento estaria sendo apresentado apenas como uma "pílula contraceptiva", o que não condiz com a verdade, segundo os bispos. No texto da nota, eles afirmam: "Ela é, de fato, contraceptiva e abortiva. Em alguns casos impede a concepção e, em outros, provoca um aborto."A chamada "pílula do dia seguinte" é distribuída na rede pública às mulheres que foram vítimas de estupro ou em casos em que se deseja evitar a gravidez imediatamente após a relação sexual. No texto da nota pastoral, os bispos dizem que o uso do medicamento contraria a doutrina moral da Igreja.Eles explicam seu ponto de vista da seguinte maneira: "Quem divulga a pílula do dia seguinte como não abortiva tem um conceito restritivo de aborto, afirmando que só se pode falar de aborto se o óvulo fecundado for expelido após ter-se fixado no útero. A Igreja Católica, no entanto, baseada nos dados da ciência, afirma que desde a concepção e antes de se fixar no útero feminino, o óvulo fecundado já é o início de uma vida humana. Portanto, mesmo sendo expelido antes de sua fixação no útero, já se trata de aborto. É isto que a pílula do dia seguinte pode provocar."No trecho seguinte da nota eles acrescentam: "É contraceptiva porque pode evitar a fecundação do óvulo, ou seja, a concepção. Se a fecundação, porém, se efetivar, a pílula se torna abortiva porque pode alterar de tal forma a situação do útero que a fixação do óvulo fecundado se torna impossível. Então ocorre a expulsão do óvulo fecundado e, portanto, o aborto."No final, acrescentam: "A Igreja é contra o aborto provocado e continua a defender a vida humana desde a concepção até sua morte natural." A comissão episcopal do Estado de São Paulo, denominada Regional Sul 1 da CNBB, é a maior do País. Reúne quase 50 bispos.

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