Bispo quer levar ao Conselho a "voz dos excluídos"

Dom Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás (GO), afirmou nesta quarta-feira que pretende levar ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social "uma colaboração refletida conjuntamente" com o Conselho Pastoral da Terra (CPT), do qual ele foi um dos fundadores, e também do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais."Nossa missão no Conselho será tentar mostrar, a todo momento, que a economia deve estar ligada ao social. A prioridade do modelo neoliberal sempre foi o econômico, e a gente quer que esta prioridade social apareça aí", argumentou ele.Personagem central de alguns dos principais episódios da causa da reforma agrária nos últimos trinta anos da história do Brasil Balduíno diz que esta foi a razão de ter sido convidado a integrar o Conselho e que pretende "levar para lá a voz, as idéias" e inúmeras experiências de pequenos e médios produtores rurais brasileiros, até hoje "excluídos dos processos de decisão"."Há milhares de experiências isoladas e bem sucedidas no Brasil. Há um universo muito rico, gestado nas mais diversas regiões e condições deste país continental e que nunca foi escutado e levado em conta", avaliou Balduíno. "Aqui em Goiás, temos projetos mirabolantes de hidrovias e grandes empreendimentos para a ampla ocupação do cerrado, mas não houve nenhuma consulta à esta população que está aí."Para Balduíno, o modelo agrícola brasileiro continua baseado no que ele chama de "projetos faraônicos", como os custeados pelas Superintendências do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), "que carrearam fortunas para grupos corruptos".Na direção contrária, segundo ele, a defesa da agricultura familiar e dos pequenos e médios produtores continua sendo vista como uma "defesa do atraso". "O CPT acha que a construção da estrutura produtiva do nosso País deve levar em conta a participação dos pequenos e médios não só no acesso à terra, mas em qualquer forma de produção", defendeu ele. Balduíno disse que integrará o Conselho "não levando receitas, mas cobrando respeito às bases populares".

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