Bispo em greve diz que transposição 'é propaganda enganosa'

D. Cappio iniciou greve de fome na última terça contra as obras do São Francisco e cobra 'verdade' de Lula

José Maria Mayrink, do Estadão,

28 de novembro de 2007 | 15h16

Ao responder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que disse preferir ficar ao lado de 12 milhões de pessoas do que ao de d. Luiz Cappio, que faz greve de fome, contra as obras de transposição do rio São Francisco, o sacerdote afirmou que "este é um discurso antigo, aquilo que eu chamo de propaganda enganosa".  "Essa água não é para 12 milhões de pessoas, é para pequenos grupos do capital. Até agora não tiveram a coragem de assumir para quem é destinado o projeto, não tiveram a coragem de assumir a verdade. Continuam com essa falácia, continuam com essa propaganda falsa, enganando as pessoas". E completou: "Ele, o presidente, devia ser mais verdadeiro e dizer com clareza para o Brasil a realidade desse projeto, dizer para quem esse projeto vai ser útil". Veja também:  Entenda a transposição do São Francisco  Bispo retoma greve de fome contra obras do São FranciscoGreve de bispo não altera projeto do São Francisco Cappio relembrou que há dois anos, "quando suspendemos o jejum lá em Cabrobó, nós só o suspendemos porque houve um compromisso do governo para que fossem paralisadas as obras e houvesse negociações. Nós confiamos na palavra do governo, nós respeitamos as assinaturas de autoridades. O diálogo teve início, mas logo se acabou. Nós acreditávamos que era devido ao ano eleitoral. Mas quando terminou e Lula foi reeleito, nós o procuramos, no início deste ano, pedindo a reabertura do diálogo. Representando a sociedade, pedimos a reabertura de um diálogo permanente, aparente, em busca de condições melhores para o povo do sertão. A resposta do presidente foi o início das obras de transposição". Segundo o bispo, não houve abertura para o diálogo. "Pelo contrário, foi o fechamento, o ensurdecimento dele para as contribuições dos movimentos populares. Houve um grande acampamento na áreas no início dos trabalhos. Mobilizações não faltaram, contribuições não faltaram. O governo manteve-se surdo. Foram dois anos de tentativa e nada aconteceu. As coisas ficaram piores. Esse é o motivo pelo qual retomei o jejum", disse. Indagado se o jejum ou greve de fome não é, para a Igreja, um suicídio, Cappio respondeu: "Para os que fazem esse tipo de análise eu recomendaria que lessem o Evangelho, que conhecessem um pouquinho mais a pessoa de Jesus Cristo, a sua doutrina e pessoa dele como bom pastor. Que lessem o Evangelho de João, capitulo 10, versículo 10, onde Jesus diz que ele é o bom pastor, que veio pra doar sua vida às suas ovelhas. Quem faz esse tipo de análise, esse tipo de discurso, desconhece as verdades do Evangelho. A história da Igreja é uma história de mártires, de homens e mulheres que deram a vida por amor à sua fé,por amor a seus irmãos. Quem faz esse tipo de análise desconhece a espiritualidade da fé".   

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