Bispo é ameaçado e cresce tensão na terra indígena Marãiwatsédé (MT)

Após Justiça determinar saída de fazendeiros, religioso foi intimidado e teve que deixar a região

Fátima Lessa, Especial para o Estado

10 de dezembro de 2012 | 13h26

Cuiabá -  Após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), está ocorrendo nesta segunda-feira, 10, a retirada de fazendeiros e posseiros da Terra Indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso. Pessoas e entidades que defendem a devolução das terras aos xavantes estão sob ameaças constantes, entre elas o bispo dom Pedro Casaldáliga, do município São Félix do Araguaia. Reconhecido por defender os xavantes, ele foi retirado este fim de semana da cidade devido às ameaças de morte e escoltado pela Polícia Federal (PF) até Brasília. O clima é de tensão e a PF informou que o risco de um confronto está sendo analisado pelas autoridades com cuidado.

O esquema de deslocamento do bispo foi acompanhado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). O órgão divulgou nota com assinatura de 15 entidades na qual denuncia as ameaças. Por determinação da Justiça, os dois oficiais responsáveis pela desocupação podem fazer buscas e apreensões de armas. Há uma semana, a força policial sobrevoa o local para monitorar focos de tensão e agir, se "caso for preciso", disse um policial.

No fim de semana, os invasores realizaram diversas manifestações na tentativa de reverter a situação. O coordenador geral de Movimentos do Campo e Território, da Presidência da República, Nilton Tubino, garantiu que os mandados de desocupação serão cumpridos. Mas a partir de agora, segundo ele, famílias notificadas e que não retiraram móveis, bens e animais não terão mais tempo hábil. 

Tubino disse que a ocupação do território Marãiwatsédé ocorreu de má fé.  Segundo ele, existe uma sentença judicial de 2010 na qual o juiz faz a mesma observação. Todos entraram na área a partir de 1993 e já sabiam que era terra indígena.

Segundo levantamento do MPF, grande parte das áreas da Terra Indígena Marãiwatsédé  está nas mãos de 22 grandes posseiros. O grupo, constituído de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, empresários e até um desembargador, de acordo com o levantamento, é dono de mais de 32 fazendas, o equivalente a 44,6 mil hectares.

A área de 165.241 hectares foi homologada em 1998, como terra de ocupação tradicional do povo Xavante . De acordo com o Censo Demográfico realizado no Brasil em 2010, a população residente na área da terra indígena Marãiwatsédé é de 2.427 pessoas.

A área de 165.241 hectares foi homologada em 1998, como terra de ocupação tradicional do povo Xavante . De acordo com o Censo Demográfico realizado no Brasil em 2010, a população residente na área da terra indígena Marãiwatsédé é de 2.427 pessoas.
 

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