Bispo do Xingu é jurado de morte com data marcada

O bispo do Xingu, dom Erwin Krautler, responsável pela maior diocese católica do mundo, com sede em Altamira, no sudoeste do Pará, está jurado de morte e com data marcada: 29 de dezembro, na próxima sexta-feira. O aviso da morte anunciada, feito por intermédio de telefonema anônimo, diz que Krautler será assassinado durante a viagem missionária que ele fará ao município de Gurupá, na região paraense do arquipélago do Marajó. "Já recebi tantas ameaças que perdi a conta, além de sofrer um atentado em 1987", comentou Krautler. E reagiu: "Essas coisas não me intimidam". Nesta terça-feira, ao saber da ameaça, o chefe da Procuradoria da República no Pará, Felício Pontes Junior, encaminhou pedido à Polícia Federal para que o caso seja investigado. "Pedi uma diligência da PF em Altamira para que se busque maiores informações e se evite esta tragédia anunciada", disse Pontes ao Estado. O superintendente da PF no Pará, José Ferreira Sales, informou que está tomando providências para apurar a origem dos telefonemas e também para garantir a segurança do bispo. "O nosso papel é trabalhar para que coisas como essas não aconteçam", explicou Sales. Na sexta-feira, 22, Krautler recebeu da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará o prêmio José Carlos Castro de Direitos Humanos pela sua atuação em defesa da vida e do meio ambiente do povo da Amazônia. A mesma comenda foi entregue pela OAB à missionária Dorothy Stang dois meses antes de ela ser morta por pistoleiros em Anapu, em fevereiro de 2004. Krautler, que é austríaco de nascimento, mas "paraense de coração", como costuma dizer, atua no Xingu há mais de 40 anos. Ele luta contra a devastação da floresta, a expulsão de pequenos agricultores de suas terras e ultimamente tem se posicionado contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. A usina é considerada obra prioritária no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O padre Edilberto Sena, também ameaçado em Santarém, município distante 640 km de Altamira, defendeu maior segurança para pessoas juradas de morte no Pará. "Não é por ser simplesmente bispo ou religioso que dom Erwin Krautler recebeu o prêmio de direitos Humanos. Afinal, há tantos religiosos, padres e pastores na região, mas que não arriscam a vida pelo bem dos outros, especialmente em situações de conflitos de interesses econômicos e políticos". Para Sena, Krautler toma partido nos conflitos, "não é frio, nem morno, assume a defesa dos oprimidos, junto com tantos outros da região".

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