Bispo culpa individualismo por crimes sexuais cometidos por padres

Os padres envolvidos em crimes de abuso sexual contra menores são pessoas que se deixaram contaminar pelo exacerbado individualismo presente na sociedade, na qual cada um faz o que gosta e o que quer. Essa é a opinião do bispo d. Antonio Celso de Queiroz, encarregado de falar em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sobre a onda de denúncias contra padres que tem atingido a Igreja Católica nos Estados Unidos e que começa a aparecer também no Brasil - foram dois casos em dois dias, em Mariana (MG) e Sorocaba (SP).D. Antonio é bispo de Catanduva, no interior do São Paulo, e foi encarregado pela direção da CNBB de conversar com os jornalistas que fazem a cobertura da 40ª assembléia geral da entidade, no mosteiro jesuíta de Vila Kotska, em Itaici, municípios de Indaiatuba.O bispo, secretário-geral da CNBB durante oito anos, entre 1987 e 1994, disse temer uma onda de denuncismo no Brasil. "Podem surgir falsas acusações, como ocorreu nos Estados Unidos", disse. Ele rechaçou qualquer ligação entre o elevado número de denúncias em diferentes países e o celibato sacerdotal."O abuso é um desvio doentio de conduta pessoal, que ocorre em qualquer ambiente e não só entre padres. São numerosos os registros de casos em famílias, com homens casados", afirmou. "Conversei há pouco com um delegado do interior, que me disse o seguinte: metade dos homens que estão em sua cadeia foram presos por crimes ligados à droga e a outra metade por crimes de abuso sexual." Durante a entrevista, d. Antonio procurou reduzir os casos que envolvem sacerdotes. "É uma proporção mínima, se comparada ao conjunto de 15 mil padres. Não vamos fazer disso o fim do mundo." Para prevenir novos casos, segundo o bispo, a Igreja está tornando mais rigorosa a seleção de candidatos ao sacerdócio.

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