Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Bispo cotado para Ministério da Ciência e Tecnologia diz que nunca misturou religião com política

Marcos Pereira rebateu críticas de comunidade científica, que não vê com bons olhos sua eventual atuação em governo Temer

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2016 | 13h01

BRASÍLIA - Indicado do PRB para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação de um eventual governo Michel Temer (PMDB), o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, rebateu nesta quarta-feira, 4,  as críticas da comunidade científica à sua possível indicação ao cargo. Pastor licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, o dirigente disse que nunca misturou religião com trabalho ou com política. 

"Religião é uma questão de foro íntimo. Nunca misturei religião com trabalho ou com política. Nunca fiz e não é agora que vou fazer", afirmou em entrevista ao Broadcast Político, serviço de informações da Agência Estado. Segundo Pereira, prova disso é que, em 2005, fez sua monografia de conclusão do curso de Direito defendendo que aborto de feto anencéfalo (sem cérebro) não pode ser crime, antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir a questão, em 2012. 

Apesar de o PRB ter uma bancada majoritariamente evangélica, o presidente do partido afirmou que a religião não influencia na atuação dos quadros do partido. "Por exemplo, a presidente Dilma Rousseff ligou para o bispo Edir Macedo (que tem forte influência sobre o PRB) para que ele revertesse a posição do partido sobre o impeachment, mas ele disse apenas que iria orar por ela e que ela precisaria falar comigo", contou Pereira. 

O dirigente disse que, após acertar com Temer no início da semana que o PRB ficaria com a Ciência e Tecnologia, já começou a ouvir representantes da comunidade científica. Após o acerto vir a público, entidades do setor criticaram a possível indicação, afirmando, em linhas gerais, que não é possível misturar religião e ciência. "Quando verem minha atuação, vão ver que não é assim", rebateu Marcos Pereira. 

Michel Temer ofereceu Ciência e Tecnologia ao PRB no lugar do Ministério da Agricultura, pasta cobiçada inicialmente pelo partido e que deve ser entregue ao PP. Antes de a legenda aceitar, aliados do vice-presidente chegaram a oferecer outras duas pastas: Previdência Social e Secretaria Especial dos Portos. A cúpula do PRB, no entanto, rejeitou as duas. 

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