Bispo cobra empenho em demarcação de reservas

O bispo de Xingu (PA), d. Erwin Kräutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afirmou ontem na Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, município de Indaiatuba (SP), que falta vontade política para resolver o problema de demarcação das terras indígenas, porque não se regulamenta em leis o que determina a Constituição."Não adianta haver decreto com a assinatura do presidente, pois o Judiciário moroso e os parlamentares, com algumas exceções, parecem mais preocupados em defender seus interesses ou das oligarquias", disse o bispo, em entrevista coletiva, comentando relatório apresentado no plenário da assembleia.O reconhecimento da demarcação de terras contínuas na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, foi uma vitória da causa indígena, na opinião de d. Erwin, mas é um exemplo entre centenas de áreas. "Segundo os registros do Cimi, do total de 846 terras, apenas 348 encontram-se com os procedimentos de demarcação totalmente concluídos, enquanto em 213 casos a tramitação legal nem sequer foi iniciada."D. Erwin apontou, entre cenários alarmantes, a situação "trágica" dos índios guaranis-caiovás, de Mato Grosso do Sul, onde os índios "vivem confinados em pequenas parcelas de terra e sofrem todas as formas de de violência e perseguição". "Dados preliminares revelam que durante o ano de 2008 pelo menos 53 indígenas foram assassinados em nove Estados do Brasil."O bispo cobrou do governo a aprovação do Estatuto do Índio e criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), "um programa autoritário e arrogante".D. Erwin, que há dois anos anda sob escolta de dois policiais da PM do Pará, 24 horas por dia, voltou a denunciar a violência contra aqueles que, como em seu caso, defendem a causa indígena.

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