Bispo ataca projeto de Serra para Pontal

Manifesto contra ''''legalização da grilagem'''' foi lido nas missas

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

O bispo da diocese de Presidente Prudente, d. José Maria Liborio Saracho, que representa a Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Estado de São Paulo, desencadeou uma campanha contra o projeto de lei do governador José Serra (PSDB) que propõe a regularização das áreas com mais de 500 hectares no Pontal do Paranapanema. Um manifesto contra o que ele chama de ''''legalização da grilagem'''' foi lido nas missas de domingo em igrejas da região. O texto chama a atenção do Estado por não ter tomado ''''medidas suficientes para cumprir a Constituição no sentido de reaver as terras públicas griladas e de destiná-las para a reforma agrária''''.Ontem, d. José Maria disse que, se o governo quer a paz na região, o melhor caminho será apressar a Justiça para que julgue as ações que discutem se as terras pertencem ou não ao Estado. O projeto de Serra, segundo ele, pode agravar os conflitos. ''''O MST luta há 25 anos por essas terras e não vai dar paz nem tranqüilidade enquanto houver dúvida.''''O bispo justificou as invasões - foram mais de 30 este ano na região. ''''O movimento tem uma posição clara: quando invade, é porque é duvidoso que o dono seja mesmo o dono. O único jeito de ser ouvido é invadir as fazendas.''''DÍVIDASD. José Maria disse que sua posição é também a da CPT estadual e deve encontrar apoio em outras dioceses. Ele criticou o governo por apoiar a expansão da cana-de-açúcar, que segundo ele está transformando São Paulo num ''''deserto verde''''.No manifesto, o bispo afirma que o Estado tem ''''dívidas sociais'''' com o povo da região que devem ser resgatadas. Ele disse que as terras em discussão na Justiça seriam suficientes para assentar mais de 15 mil famílias. ''''É quatro vezes o que já tem assentado.''''O projeto do governador tramita em caráter de urgência na Assembléia. No dia 21, durante um fórum sobre a expansão da cana e do etanol que se realizará em Presidente Prudente, o bispo voltará a atacar a proposta de Serra. ''''É uma agressão à razão e uma usurpação ilegítima do bem comum'''', criticou.''''BOA VONTADE''''O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, contestou os argumentos do bispo. ''''Estamos ganhando a maioria das ações e o total de terras efetivamente dadas como devoluta é de meio por cento.''''O líder ruralista afirmou que o projeto contempla apenas a ''''boa vontade'''' dos proprietários de pôr fim à disputa judicial e disse que a postura do bispo é ideológica. ''''A CPT e o MST têm o mesmo discurso.''''Segundo Nabhan, há dois anos, d. José Maria teria convocado os sem-terra para invadir fazendas. ''''Eu o critiquei e entrei com processo. Ele também me processou pelo que eu falei.''''

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