Biscaia confirma declaração de Suassuna sobre propina

O deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) confirmou nesta quarta-feira, 6, ao Conselho de Ética do Senado que o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) lhe disse que "90% dos parlamentares levam beirada nas emendas ao Orçamento". O presidente da CPI dos Sanguessugas está sendo indagado pelo relator do processo contra Suassuna, senador Jefferson Peres (PDT-AM).Biscaia disse que a declaração foi feita no mês de julho, mas não se lembra da data exata. Ele afirmou que estava trabalhando na sala da CPI, quando Suassuna o procurou para saber quais provas existiam contra ele. Assim, ele disponibilizou o arquivo eletrônico com todos os documentos e depoimentos que faziam referência a ele. Segundo o deputado, enquanto Suassuna examinava a documentação, a todo momento pedia que os fatos fossem apurados com todo o rigor e dizia: "Não tenho nada com isso, isso é coisa do meu assessor". Ainda de acordo com Biscaia, o senador fez então a declaração de que 90% dos parlamentares recebiam propina, ele afirmou que imediatamente reagiu dizendo que desconhecia "que 90% dos parlamentares cometiam crime" e, em seguida, encerrou o diálogo.O deputado disse também que em 26 de agosto, durante um depoimento, Luiz Antonio Vedoin fez a mesma afirmação de Suassuna. "Deputados e senadores são assim mesmo. Se eles gastam R$ 2 ou R$ 3 milhões para se eleger, eles vão querer recuperar", teria dito Vedoin. Novamente Biscaia disse que protestou e que não aceitou a informação, "porque o gasto para uma campanha de deputado não é esse". "Meus gastos estão declarados no TSE", acrescentou.Ele afirmou ao senador Jefferson Peres que não quis divulgar a declaração de Suassuna antes, mas que, quando a informação vazou para a imprensa, ele a confirmou.Novas denúnciasBiscaia disse em entrevista que obteve na terça-feira o compromisso dos empresários Luiz Antonio Vedoin, Darci Vedoin e Ronildo Medeiros (donos da Planam) de que nenhuma denúncia seria feita à imprensa antes de uma comunicação ao juiz federal de Mato Grosso que cuida da investigação sobre a máfia das ambulâncias.O presidente da CPI procurou os empresários para os alertar de que eles não poderiam ficar toda semana fazendo novas denúncias pela imprensa, sob pena de perderem o benefício da delação premiada.

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