Biosintética aborta lançamento de 10 genéricos

O Laboratórios Biosintética, de São Paulo (SP), abortou o lançamento de dez medicamentos genéricos que faria este ano devido à alta do dólar e ante o congelamento e tabelamento de preços dos medicamentos no Brasil. "Não conseguiríamos produzir os medicamentos com princípios ativos importados e colocá-los no mercado com preços no mínimo 35% abaixo dos medicamentos de referência", explica a líder executiva de Genéricos do Biosintética, Maria Cláudia Villaboim. Os medicamentos que deveriam ter desembarcado no Brasil são importantes para o tratamento de doenças crônicas e de alta complexidade dos sistemas cardiovascular, nervoso central e da área de diabetes, ressalta a executiva. Segundo ela, por lei, o preço do genérico deve ser entre 35% e 40% inferior ao cobrado pelos medicamentos de referência.Sobre a Bioteva, joint venture entre o Biosintética e a Teva, maior indústria mundial de genéricos, Maria Cláudia afirma que os planos de produção local também foram congelados. A medida deve-se à expectativa em torno dos novos rumos do País a partir de janeiro de 2003. A situação atual será mantida por prazo indeterminado: a Bioteva importa os medicamentos prontos da Teva e os vende no Brasil sob a marca Biosintética. A aquisição da unidade produtiva da Aventis pela Biosintética este ano quintuplicou a capacidade instalada original da indústria. A ociosidade deverá ser usada, futuramente, para fazer da fábrica uma plataforma de exportação dos medicamentos da Bioteva. A joint venture com a Teva é exclusiva na América do Sul, e a executiva acredita que, devido ao mercado brasileiro ser o maior da região, o contrato continuará nos mesmos termos - daí a vocação exportadora da unidade local.Hoje, da linha de 15 genéricos em 27 apresentações da Biosintética para a área de cardiologia vendidos no Brasil, 60% são produtos da Teva e os demais são do próprio laboratório. Quanto às versões genéricas do antibiótico Augmentin (GlaxoSmithKline) e do antidepressivo Remeron (Organon), produzidas pela Teva e que deverão obter registro da Food and Drug Administration (FDA) até o final deste ano, Maria Claudia afirma que será praticamente indiferente para o Brasil. Por dois motivos: o Biosintética não trabalha com antibióticos, e o antidepressivo, que interessa ao portfólio, não virá enquanto não houver solução para a equação dólar alto versus congelamento e tabelamento de preços localmente. "Nossa lei de patentes é muito recente, e muitos medicamentos aqui não estão protegidos como nos Estados Unidos. É o caso desses dois medicamentos", explica. Segundo ela, exemplo disso é a Fluoxetina, genérico produzido no Brasil desde o ano passado e cuja patente venceu somente neste ano nos Estados Unidos. Desde 1996, quando o Brasil passou a regulamentar as patentes de medicamentos, a indústria local não pode mais copiar drogas cujo registro internacional foi feito depois que a lei passou a vigorar no Brasil. Por isso, o futuro beneficiará a Bioteva ante a concorrência local que não conta com parcerias internacionais.Maria Cláudia exemplifica a partir de uma hipótese. "Quando o Viagra (Pfizer) tiver a patente vencida, o Teva poderá ter o genérico já para lançamento simultâneo em todo o mundo, e a Bioteva será beneficiada com isso."

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