Bioquímico critica pesquisas de genoma e proteoma

Não é todo mundo que se entusiasmacom pesquisas de genoma e proteoma. Apesar de atraírem milharesde cientistas em todo o mundo, existem pesquisadores que as vêemcom reserva. É o caso do bioquímico Antonio Carlos Camargo, doInstituto Butantan. Para reforçar sua posição Camargo recorre a ninguémmenos que o Nobel de Medicina de 2002, o britânico SidneyBrenner. "Numa recente entrevista ao jornal alemão Die Zeit,ele afirma que essas pesquisas abrangentes (genoma e proteoma)resultam numa montanha descomunal de dados, gerando o maioramontoado de besteiras que já foi proposto", diz. Segundo Camargo, os dados de pesquisas fornecemelementos que ajudam a criar uma teoria. "O projeto do genomahumano, no entanto, não gerou nenhuma teoria até agora",lembra. "Por isso concordo com Brenner, que critica o acúmulode máquinas e computadores que ´cospem´ um colosso de dadosinúteis." Para ele, alguns pesquisadores procuram criar umanova biologia, mas acabam criando uma teórica, in silico, isto é feita nos computadores e não nos laboratórios. Camargo não é totalmente cético. "Determinar todas asproteínas que são secretadas por uma glândula de veneno de cobra por exemplo, pode ser útil", afirma. "A síntese protéicanessas glândulas está quase exclusivamente dedicada à produçãode toxinas. Nesse caso, a determinação de seqüências das toxinassecretadas por uma glândula de veneno pode responder a inúmerasquestões - desde aspectos de classificação, variação intra einterespécies, evolução de animais venenosos até seleção detoxinas para utilização farmacêutica."

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