Biólogo alerta para risco de epidemia de dengue

O Brasil nunca esteve tão próximo de enfrentar uma epidemia de dengue hemorrágica. Pelo menos 19 milhões de brasileiros têm grandes chances de contrair o tipo mais virulento da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.Esse foi o diagnóstico traçado pelo biólogo Jair Duarte, consultor técnico do plano de erradicação da dengue, durante a abertura do Simpósio Nacional de Controle de Vetores e Pragas Urbanas, Saúde e Ambiente ontem no Rio. "A dispersão do tipo 3 no Brasil demonstra o risco de uma epidemia do tipo hemorrágico. E a população e o governo devem ficar atentos para isso", alertou.A dengue hemorrágica é uma manifestação mais forte do vírus em qualquer um dos quatro tipos existentes (1, 2, 3 e 4). Mas o surgimento de uma nova forma do vírus é importante. As pesquisas mostram que, quando a vítima tem a doença mais de uma vez, ela fica mais suscetível a desenvolver hemorragias em decorrência da ação do vírus.Até o ano passado, o Brasil só tinha registrado os tipos 1 e 2 do vírus, mas em dezembro passado o Rio notificou o primeiro caso do tipo 3. De lá para cá, foram notificados 28 casos dessa última classe. "As chances de que formas mais virulentas (como a hemorrágica) apareçam são muito grandes", disse o biólogo.Das 19 milhões de pessoas mais suscetíveis a um surto de dengue hemorrágica, 3 milhões estariam no Rio de Janeiro e 1 milhão em São Paulo. "Esse é um problema típico de grandes cidades, porque o mosquito é hoje um inseto urbano e doméstico." Baseado em seu trabalho de análise de como erradicar o mosquito e a doença, Duarte explicou que grande parte da responsabilidade pelo combate à dengue deve ser da população. "São ações domésticas bem simples, como evitar acumular água nas plantas, que podem resolver o problema."RatosUm outra ameaça que será discutida no simpósio é o aumento do número de ratos nas grandes cidades e as doenças que eles transmitem. Amanhã, um painel vai debater formas de controlar a proliferação de roedores em edifícios e locais públicos.Milton Morato Villas-Boas, da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas, lembrou a importância da realização mais freqüente de levantamentos sobre doenças relacionadas a roedores. Segundo ele, as estatísticas existentes no Brasil não refletem o real perigo apresentado pelos animais em cidades como São Paulo, onde em algumas áreas da capital a relação ratos por habitante chega a 42. Villas-Boas está realizando uma pesquisa para levantar o número real de brasileiros infectados pelo hantavírus, que é transmitido ao homem por fezes e urina de ratos e pode levar à morte.

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