Biobrás afirma que preço da insulina não vai subir

A direção da Biobrás, única produtora de insulina do País e sediada em Montes Claros, norte de Minas, informou, nesta terça-feira, que a decisão do governo brasileiro de aumentar em 76,1% o preço do hormônio praticado no mercado nacional pela dinamarquesa Novo Nordisk não representará elevação do preço do produto ao consumidor final.Segundo o presidente da empresa, Roberto Melo Carvalho, a resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex), publicada nesta terça no Diário Oficial da União, de corrigir exclusivamente os preços da Novo, é resultado da constatação de dumping que estaria sendo cometido pela multinacional para vencer concorrências públicas de venda de insulina.Investigações do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, feitas nos últimos dois anos, teriam comprovado, segundo Carvalho, suspeitas de que a empresa dinamarquesa vinha exportando seus produtos para a filial brasileira a preços bem abaixo do normal, ou seja, ficando em condições de concorrer desleamente com a empresa brasileira. "A Novo estava com margens de prejuízo apenas para conquistar mercado e desestabilizar a produtora doméstica", disse. Além de ter solicitado as investigações à Camex, a Biobrás também entrou com um processo no Cade, acusando a empresa dinamarquesa de não só exportar produtos para o Brasil a baixo custo, como também vendê-lo sem lucro a instituições públicas, com o mesmo objetivo."Esperamos que o julgamento do Cade, que deve acontecer segunda-feira, também seja favorável e com isso o preço da insulina para as licitações públicas volte ao normal", afirmou Carvalho. Prova de que a Novo estaria praticando concorrência desleal, segundo Carvalho, seriam números do ano passado: dos 8,5 milhões de frascos de insulina vendidos no País, 78% foram para o setor público. "A empresa dinamarquesa ficou com 75% dessas vendas ao setor público", afirmou o presidente da Biobrás.Alegações de dirigentes da Novo de que a correção de seus preços pode inflacionar o mercado nacional de insulinas - dividido entre ela, a norte-americana Eli Lilly, também acusada de dumping e que acabou fazendo acordo de preço mínimo com o governo brasileiro, e a Biobrás -, foi taxada por Carvalho como "chantagem emocional". "Os preços nas farmácias, no mercado privado, não vão aumentar, continuando na faixa de R$ 16,00 o frasco", garantiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.