Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bia Kicis faz 'piada' com Moro e Mandetta pintados de negros para trabalharem na Magazine Luiza

Acusada de racismo, deputada do PSL rebateu e atribui preconceito à empresa

André Borges, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2020 | 18h20
Atualizado 06 de outubro de 2020 | 11h55

BRASÍLIA - A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) publicou, em suas redes sociais, uma montagem com os rostos dos ex-ministros Sérgio Moro (Justiça) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde) pintados de negro, sugerindo que ambos poderão buscar vagas de emprego na rede Magazine Luiza, em referência ao programa de trainee apenas para negros anunciado pela empresa.

A montagem, de tom agressivo, mostra o rosto de Moro pintado, com uma peruca e a mensagem: “Desempregado, blogueiro Sérgio Moro faz mudança no visual para tentar emprego no Magazine Luiza”. Ao lado, traz o rosto de Mandetta, também com peruca e a mensagem: "Sem emprego e cansado de errar o pico, Mandetta mudou de cor e manda currículo para Magazine Luiza”.

Ao divulgar a mensagem que traz o título “Não tá fácil pra ninguém!”, Bia Kicis escreveu em sua publicação: “Não tá fácil mesmo!”.

A reação nas redes sociais foi imediata, com milhares de acusações de preconceito. “Que ridículo isso. Parece mais coisa de criança. Total falta de respeito com as pessoas. Total falta de respeito com os negros”, escreveu uma internauta na página de Bia Kicis no Facebook. “Essa deputada racista desceu o nível”, afirmou outro.

Bia Kicis usou as redes para se defender e acusar a rede de varejo. “O povo não consegue mais entender um meme. Sabe quem é racista? A Magazine Luiza e quem mais achar que os negros precisam de favor e ter vaga exclusiva para emprego porque não têm capacidade intelectual. Nem falem quem é falta de oportunidade porque pobre branco tem as mesmas dificuldades”, escreveu, em seu perfil no Twitter.

A deputada também disparou contra o Ministério Público do Trabalho. “O MPT inclusive vem falar de reparação histórica. Não entendem nada sobre mérito, dedicação e superação. Nem sobre o Brasil ser o povo da miscigenação. Meu único preconceito é com a má-fé esquerdista. Aliás, é pós conceito diante dos fatos”, afirmou.

Em mensagens de voz enviadas a seus contatos por WhatsApp, Bia Kicis também tem afirmado que fez uma “piada”, que o País está em uma guerra, mas que, apesar disso, não perdeu o seu “bom humor”.

“Eu acredito que nós precisamos lutar nessa guerra, e unidos. E eu não sou uma pessoa que quer separar. Eu sou uma pessoa que quer unir. Mas eu não perdi o bom humor e acho que, de vez em quando, uma chargezinha (sic) cai bem, embora eu seja uma pessoa que fuja de treta nas redes. Mas eu acho que, de vez em quando, uma chargezinha cai bem.”

Bia Kicis é uma das investigadas no inquérito dos atos antidemocráticos aberto em abril, a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, depois que manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do País.

Nesta tarde, sem citar o nome de Bia Kicis, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes foi ao Twitter para criticar manifestações de racismo. “O preconceito racial é uma das maiores chagas da nossa tradição colonial. Qualquer iniciativa – seja do Estado ou da iniciativa privada – que vise a reparar a história de segregação da população negra deve ser louvada, jamais achincalhada. Racismo é crime e fomentá-lo também”, escreveu Gilmar.

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