Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bia Kicis é afastada da vice-liderança do governo no Congresso

Retirada do posto pelo governo após a votação da PEC do Fundeb, deputada declarou à Globo News que 'seguiu o exemplo do presidente' e votou de acordo com sua consciência

Camila Turtelli, Emilly Behnke e Mateus de Souza, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 22h33
Atualizado 23 de julho de 2020 | 08h10

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro destituiu a deputada Bia Kicis (PSL-DF) da função de vice-líder do governo no Congresso. A mensagem foi publicada na noite desta quarta-feira, 22, em edição extra do Diário Oficial da União.

Bolsonarista de carteirinha, Kicis esteve entre os únicos sete deputados que votaram contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), no primeiro turno da votação da Câmara, para prorrogar o  Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Foram 499 votos a favor. Além dela, Chris Tonietto (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junio Amaral (PSL-MG), Luiz Philippe (PSL-RJ), Marcio Labre (PSL-RJ) e Paulo Martins (PSC-PR) foram os outros  votos contrários no primeiro turno. Todos são fiéis aliados  de Bolsonaro.

Na madrugada desta quinta-feira, 23, a deputada usou as redes sociais para compartilhar um vídeo em que a jornalista Natuza Nery, da Globo News, cita a explicação da deputada para o voto. "Eu votei de acordo com a minha consciência. Aliás, eu segui o exemplo do presidente Jair Bolsonaro, que quando foi parlamentar, só votou de acordo com a consciência dele. Para mim, ele é um modelo e continua sendo um modelo."

Eu votei de acordo com a minha consciência. Aliás, eu segui o exemplo do presidente Jair Bolsonaro, que quando foi parlamentar, só votou de acordo com a consciência dele. Para mim, ele é um modelo e continua sendo um modelo.

Em maio, Kicis chegou a usar no plenário uma máscara de proteção contra o coronavírus com a inscrição “E daí?”. A pergunta foi feita por Bolsonaro no dia 28 de abril, quando ele comentou o número de mortos pela pandemia – que, àquela altura, havia chegado ao recorde. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”, disse o presidente, na ocasião.

Bolsonaro negou nesta quarta que a aprovação da PEC do Fundeb tenha sido uma derrota do Palácio do Planalto. Em conversa com apoiadores,  no Palácio da Alvorada, ele manteve o discurso de vitória governista adotado nas redes sociais e construiu uma narrativa para transforma o revés em triunfo, mesmo com a proposta do Executivo tendo sido ignorada por deputados.

"Falaram que minha bancada votou contra. A minha bancada não tem seis ou sete, não. A minha bancada é bem maior do que isso daí", afirmou Bolsonaro. “Os que votaram contra devem ter seus motivos e vou perguntar para eles por que votaram contra", disse o presidente. "A esquerda não engole mais uma derrota, além de fazer besteira com o dinheiro público".

Nas imagens transmitidas pelo Facebook, o próprio Bolsonaro faz a pergunta aos apoiadores para responder sobre o assunto. "Alguém quer saber sobre o Fundeb?", indagou ele, antes de discorrer sobre o assunto. Segundo o presidente, a negociação sobre qual fatia a União terá de contribuir para o Fundeb em relação ao aporte de Estados e Municípios "levou anos". "Eu queria dar 200%, mas só que não tem dinheiro. Então foi negociado e passou para 23% em comum acordo. A Câmara e o Executivo mostraram responsabilidade na aprovação do Fundeb", argumentou Bolsonaro. "E o Senado deve seguir a mesmo caminho", completou.

Na prática, porém, a negociação não foi bem assim. O governo era contra a PEC do Fundeb como foi apresentada, mas, quando viu que perder a votação em plenário – mesmo tendo feito aliança com o Centrão – passou a apoiar a proposta, nos moldes do que ocorreu com o auxílio emergencial. Um dos projetos do governo previa que o novo Fundeb passasse a valer somente a partir de 2022.

No início deste mês, o Planalto fez outras mudanças nos cargos de vice-liderança da Câmara para contemplar deputados do Centrão, entre eles  Diego Garcia (Podemos-PR), Aloísio Mendes (PSC-MA) e Maurício Dziedricki (PTB-RS). Além disso, Bolsonaro oficializou a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) como interlocutora do governo.

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