Bezerra vai ignorar Comissão de Ética

O senador Fernando Bezerra (sem partido-RN), ex-ministro da Integração Nacional, afirmou que não cumprirá a determinação da Comissão de Ética Pública, do governo federal. A Comissão afirmou que ele deveria submeter-se a uma quarentena antes de reassumir a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da qual está licenciado. A advertência foi feita por meio de uma carta. "Tenho legitimidade para reassumir o meu cargo, não só jurídica, mas principalmente por causa da solidariedade que recebi dos integrantes da CNI", disse Bezerra. "Não vou ficar de quarentena." Pelo Código de Conduta da Alta Administração Pública, quem deixa o governo tem que ficar quatro meses sem assumir um cargo privado. Num almoço realizado na sede da CNI, Bezerra recebeu o apoio de quase todos os 27 representantes das federações estaduais. As únicas ausências foram as dos presidentes da Fiesp, Horácio Lafer Piva, e da Firjan, Eduardo Eugêncio Gouveia Vieira. Bezerra aproveitou a ocasião para ler a carta de demissão entregue no dia anterior ao presidente Fernando Henrique, e deu uma explicação sobre os fatos que o levaram a sair do governo. "Nunca me prestei, nem me prestaria, a um papel subalterno de mero executor dos interesses localizados de uma simples sigla partidária", escreveu Bezerra em sua carta, numa referência ao PMDB. Apesar da decisão de ignorar o Conselho de Ética, Bezerra ainda não reassumiu a presidência da CNI e nem sua vaga no Senado, porque sua exoneração ainda não saiu na edição no Diário Oficial.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.