Bezerra e João Alberto declaram apoio a Jader

Os senadores do PMDB Carlos Bezerra (MT) e João Alberto (MA) apresentaram hoje seus votos contrários à aprovação do relatório da comissão de investigação do Conselho de Ética que propõe a abertura de processo contra o ex-presidente do Senado Jader Barbalho (PMDB-PA) por quebra de decoro parlamentar. Bezerra restringiu-se a considerar o relatório "uma blasfêmia". Mas João Alberto desceu a detalhes para contestar a tese do relatório de que o fato de Barbalho ter sacado, na boca do caixa, 93 mil cruzeiros na agência do Banco Itaú, no Rio de Janeiro, em que havia 18 cheques do Banpará não provaria a utilização dos recursos desviados do banco paraense pelo senador.O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) voltou a defender a realização de perícia na contabilidade do Banpará, mas após a abertura do processo contra Jader. Romeu Tuma (PFL-SP), um dos autores do relatório, fez uma exposição sobre os pontos atacados por Jader. Ele reafirmou que todos os documentos do Banco Itaú anexados ao relatório são autênticos, contestando afirmação feita hoje de manhã por Jader de que teria havido distorção na apuração das contas do Itaú.Já Heloísa Helena e Antero Paes de Barros votam pelo relatórioOs senadores Heloísa Helena (PT-AL) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT) encaminharam, no início da tarde de hoje, no Conselho de Ética do Senado, seu voto favorável à abertura de processo contra o senador Jader Barbalho por quebra de decoro parlamentar. A senadora lamentou o fato de Barbalho não estar mais presente à reunião do conselho para ouvi-la rebater a versão dada por ele, hoje de manhã, sobre sua participação na inquirição do senador pela comissão de sindicância. Helena disse que, naquela oportunidade, afirmou que estava claro o envolvimento de Barbalho na "operação fraudulenta que desviou recursos do Banpará". Ela disse ainda que não participa de nenhum tipo de complô para favorecer Barbalho e que, se existe algum tipo de complô, isso mostra apenas o que é a elite nacional.A senadora fez um resumo didático do parecer do inspetor do Banco Central Abrahão Patruni Júnior sobre o caso Banpará. De acordo com a senadora, o relatório de Patruni deixa claro que recursos de uma conta corrente de Jader Barbalho se somaram a recursos desviados do Banpará para aplicação em operações de renda fixa e, posteriormente, resíduos dessas aplicações foram creditados na conta do próprio Jader e de outros beneficiários ligados a ele, como por exemplo o Diário do Pará, de sua propriedade. Segundo a senadora, os boletos de caixa que registraram as operações são o mapa genético da fraude. "Só não vê quem não quer", observou ela.O senador Antero Paes de Barros disse que não estava votando no mérito das acusações, mas sim na abertura do processo. Ele concordou com a necessidade de ser feita uma perícia judicial nos documentos, a pedido do próprio Senado, conforme sugestão do senador Saturnino Braga. "Se a perícia comprovar o que afirma o senador Jader Barbalho, seria falta de ética não absolvê-lo", afirmou Barros, acrescentando que, da mesma forma como não se pode condenar alguém sem provas, tampouco se deve absolver sem convicção.

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