Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

'Bessias', que entregou o polêmico 'termo de posse' a Lula, continuará a servir Dilma

Ele passa a fazer parte da equipe a serviço do Gabinete Pessoal da Presidência, grupo designado para continuar trabalhado para a presidente afastada

Carla Araújo e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 16h39

BRASÍLIA - O mensageiro do "polêmico" termo de posse que a agora presidente afastada Dilma Rousseff enviou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando pretendia nomeá-lo para a Casa Civil, Jorge Rodrigo Araújo Messias, continuará a servir Dilma. Entre os funcionários que tem direito a escolher enquanto está afastada do cargo, Messias foi um dos escolhidos. Agora ele passa a fazer parte da equipe a serviço do Gabinete Pessoal da Presidência, grupo designado para continuar trabalhado para Dilma. Anteriormente, ele ocupava o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil. 

 

Messias foi identificado nas interceptações telefônicas autorizadas pelo juiz Sergio Moro como “bessias”. “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, disse Dilma a Lula, num dia antes da posse do ex-presidente. 

A conversa entre Lula e Dilma fez com que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedisse, no começo de maio, a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente e a presidente afastada, sob a acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

 

Além das negociações para o termo de posse de Lula como ministro, a investigação tem como base ainda delação premiada do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS). O procedimento pedido por Janot ainda precisa ser autorizado pelo ministro Teori Zavascki, relator do processo da Lava Jato no STF.

No pedido, Janot sustenta que a nomeação de Lula para o ministério fez parte das diversas tentativas de atrapalhar investigações criminais da operação que apura o esquema de corrupção na Petrobras. O procurador diz que a decisão de Dilma teve a intenção de tumultuar o andamento das investigações ao tentar dar foro privilegiado ao ex-presidente, o que tiraria as investigações do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.

Outros escolhidos. Além de Messias, Dilma já nomeou mais sete pessoas para sua equipe durante o período de afastamento. Sempre muito próximo da presidente, Giles Azevedo, que deixou o cargo de assessor especial de Dilma, passará a exercer o cargo de Secretário-Executivo do Gabinete Pessoal da Presidenta da República. 

 

O fotógrafo oficial de presidente afastada, Ricardo Stuckert, também continuará ao lado de Dilma. Durante o período de afastamento, Dilma pretende percorrer o país em defesa de seu mandato.  

 

Caberá ao jornalista Olímpio Cruz, ex-secretário de imprensa do Planalto, cuidar da comunicação da presidente afastada, agora com o cargo de assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidenta da República. 

 

Também foram selecionados para continuar próximos a Dilma a ex-chefe de gabinete-adjunta da Presidência, Daisy Aparecida Barretta; a então chefe de gabinete pessoal, Elisa Smaneoto; o assessor especial, Mario Marona; a chefe de Gabinete-Adjunto Sandra Brandão e a assessora especial Paula Zagotta Oliveira. 

 

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