Berzoini repudia uso do mensalão de forma 'oportunista'

Presidente do PT diz esperar que candidatos não usem denúncias do esquema tucano durante debates

Evandro Fadel, do Estadão

23 de novembro de 2007 | 13h34

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse nesta sexta-feira, 23, em Curitiba, esperar que as denúncias de uso de recursos ilegais no financiamento da campanha de 1998 pelo PSDB em Minas Gerais, bem como as do chamado mensalão, que teria beneficiado parlamentares do PT e que agitaram o partido entre 2005 e 2006, não sejam usadas "de maneira oportunista" durante os debates eleitorais. "Precisamos dialogar sobre a estrutura partidária do Brasil e não sobre um evento que envolve um ou outro candidato", conclamou.   Veja Também:  Entenda o mensalão mineiro  Veja quem são os 15 denunciados pelo mensalão mineiro  Confira a íntegra da denúncia  Denúncia ao STF derruba ministro das Relações Institucionais Denúncia contra Azeredo contamina congresso do PSDB CPMF fica prejudicada com saída de Mares Guia, diz especialista   Defensor do financiamento público de campanhas, Berzoini afirmou que a denúncia feita pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra 15 suspeitos de peculato e lavagem de dinheiro, demonstra mais uma vez a necessidade da reforma do sistema político. "Se não houver uma reforma política que crie o financiamento público de campanha esse risco vai continuar existindo na política brasileira", ressaltou. "O financiamento privado envolve muitas vezes a ação de pessoas que estão mal intencionadas e que acabam se aproximando dos políticos com outros interesses e oferecendo mecanismos de financiamento nem sempre transparentes."   Mesmo alertando para a necessidade de não se usar os dois episódios na argumentação política, o presidente do PT salientou que a denúncia apresentada pelo procurador-geral contra o esquema mineiro "demonstra que aquele tipo de ataque que foi feito contra o PT em 2005 e 2006 é absolutamente injusto porque esse tipo de risco existe para todos os partidos". Para ele, a denúncia "comprova que o esquema Marcos Valério (empresário mineiro) começou em Minas Gerais com o PSDB".   Mas imediatamente Berzoini retoma o tom conciliador entre os partidos. "Eu respeito o PSDB como adversário e não vou usar contra o PSDB armas de baixo nível", prometeu. "Pretendo trabalhar muito mais no debate político sobre o sistema de financiamento eleitoral do Brasil, demonstrando que eles (tucanos) foram injustos e oportunistas contra nós, mas nós não seremos porque não queremos baixar o nível da política", continuou. "Esse tipo de oportunismo, de querer caracterizar um partido como desonesto, não ajuda a democracia."   Berzoini exaltou a "correção e compromisso", que teriam sido demonstrados pelo ex-ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, um dos denunciados, com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Até nesse ato de pedir o afastamento, ele demonstrou que não quer criar nenhum constrangimento", ressaltou. "Eu não acredito no seu envolvimento nessa questão, mas é a justiça que tem que apurar e não eu." Do mesmo modo, destacou a confiança na lisura dos atos do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Não acredito que tenha agido de má-fé, assim como acredito que nossos companheiros não agiram de má-fé", afirmou.   Segundo ele, desde a crise que atingiu o PT, a direção nacional fez um alerta a todos os filiados espalhados pelo País para que "não criem riscos desnecessários". "A arrecadação de campanha e a despesa têm que ser contabilizadas, a lei assim o determina e nós temos que cumpri-la", voltou a advertir.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.