Berzoini reassume PT e promete apoio a Chinaglia na Câmara

Ao reassumir nesta terça-feira a presidência do PT, o deputado Ricardo Berzoini disse que o partido vai trabalhar pela candidatura do líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. "É um dos projetos do partido neste período, mas evidentemente temos muito respeito a Aldo Rebelo, que tem sido um companheiro leal", afirmou Berzoini, referindo-se ao presidente da Câmara, que disputa a reeleição. Ao passar o cargo para Berzoini, o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, disse que o partido não quer a divisão da base aliada e vai trabalhar pela candidatura de um único nome para a presidência da Casa. "O campo progressista está dividido em torno de duas candidaturas para a presidência da Câmara. Mas a candidatura de Aldo e Chinaglia não são antagônicas. Haverá um momento em que a base terá um candidato único. Não gostaria que em nenhum momento essa situação entorpecesse as nossas relações com o PCdoB", disse Garcia. Ao passar o cargo para Berzoini, o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, fez vários elogios a Rebelo. "Quando decidimos pôr o nome de Chinaglia à disposição da coalizão não havia nenhum movimento que significasse denegrir ou criticar o nome de Aldo Rebelo", afirmou Garcia, defendendo o consenso. "Aldo continua tendo a nossa confiança e mais do que isso: o reconhecimento pelo extraordinário trabalho que fez na Câmara num momento difícil quando havia muitas tendências golpistas".Garcia afirmou, sem especificar, que há mecanismos para se chegar a uma candidatura única. Petistas consideram que um desses mecanismos é a destinação de um ministério para um dos candidatos. No entanto, essa é uma questão do presidente da República. O comando da campanha de Chinaglia não quer falar em desistência do petista. Aldo reafirmou ser candidato à reeleição. "A minha candidatura hoje pertence aos partidos da base do governo e aos partidos de oposição que me apóiam", disse Rebelo. "Não posso falar em hipótese. A candidatura foi posta para disputar e vencer a eleição", acrescentou Rebelo, ao ser questionado se haveria a ´possibilidade de ele recuar em favor da candidatura petista. Pela manhã, em reunião com Chinaglia na Câmara, os coordenadores petistas insistiram na manutenção de sua candidatura. Entre os participantes estavam deputados envolvidos no escândalo do mensalão e que, com Chinaglia, têm a expectativa de voltar a ter influência na Câmara e, por conseqüência, no governo Lula. A campanha de Chinaglia contabiliza apoios do PTB, do PL, de parte do PP e a maior parte do PMDB."Se tiver mais de uma candidatura, vai ter disputa no plenário. O presidente Lula sabe que ali (Congresso) é outro poder. Já tive de enfrentar o noticiário dizendo que eu era o candidato anti-Lula e agora outros dizem que eu passo a ser o candidato do presidente Lula. Estou tranqüilo. Eu sou líder do governo", disse Chinaglia."Na época da ditadura, quando o general era presidente de plantão e tentava interferir na presidência da Câmara, a própria imprensa reagia e o Parlamento também. O que mudou é que agora não é mais ditadura e os que de forma desatenta escrevem que o presidente vai apoiar este ou aquele talvez devessem também refletir qual o papel que o presidente deve jogar na democracia", afirmou o candidato petista.As declarações de Garcia, Berzoini e Aldo foram feitas durante almoço em um restaurante de Brasília. Além deles estavam presentes os ministros das Relações Institucionais, Tarso Genro; do Planejamento, Paulo Bernardo; dos Transportes, Walfrido Mares Guia e vários e deputados e senadores do PT, PTB e PCdoB.Colaborou Denise MadueñoEste texto foi atualizado às 20h40 para acréscimo de informação

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