Berzoini nega ter marcado audiência com Paim

Contra todas as evidências, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, negou hoje que tivesse chegado a marcar uma audiência na véspera com o senador Paulo Paim (PT-RS): "Ele não tinha agenda comigo." O nome de Paim, porém, chegou a constar da agenda do ministro colocada na internet e distribuída a jornalistas pela Radiobrás na terça-feira.O encontro estava previsto para as 11h, mas Paim, que pretendia entregar a Berzoini uma proposta alternativa de reforma da Previdência, só consegui ser recebido pelo secretário de Previdência Social do ministério, Helmut Schwarzer. O ministro jurou que o senador sabia que seria recebido por um técnico e tudo estava mais do que acertado entre as duas assessorias. "Não consigo entender a reação dele", desconversou Berzoini, que foi criticado por Paim em discurso proferido no plenário do Senado.Hoje o ministro da Previdência Social viveu mais uma situação de tensão no que parecia um compromisso tranqüilo: falar sobre a Previdência num encontro organizado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, comandada pela ministra Emília Fernandes. Depois das explicações de sempre e de responder a perguntas bem comportadas, Berzoini foi questionado pela platéia, descontente com o rumo da reforma previdenciária do governo.As mulheres, participantes do movimento Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), acusaram o governo de seguir reformas previdenciárias mal sucedidas no México, na Argentina e no Chile. "O projeto do governo não está acima das críticas, mas elas precisam ser corretas", rebateu Berzoini. Ele explicou para as mulheres que enquanto nos países citados o caminho foi o da privatização, no Brasil o governo Lula quer fortalecer a previdência pública. "Não estamos privatizando a Previdência Social", assegurou.Entre murmúrios de descontentamento, Berzoini passou a explicar porque não defendia a previdência do setor público tal como está desenhada no momento. "O sistema está equivocado, errado e mal formatado", definiu o ministro. Segundo Berzoini não há defesa possível para um sistema que consome recursos orçamentários da ordem de R$ 23 bilhões por ano em benefício de menos de um milhão de pessoas.

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