Berzoini nega apelo a senador; preocupação é com 2010

Há 2 motivos para recuo de Mercadante: eleições de 2010 e ser o contraponto ao PMDB de Renan e Collor

Clarissa Oliveira, Eugênia Lopes, Vera Rosa e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 16h31

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) usou carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para voltar atrás e revogar a renúncia que ele anunciara antes 'irrevogável'. Por trás das declarações do senador, contudo, há dois motivos claros para a decisão: a disputa eleitoral de 2010 e a intenção do líder do PT de ser o contraponto ao PMDB de Renan Calheiros e Fernando Collor.

 

O líder do PT fez o discurso do 'Fico' para pouco mais de seis senadores. FOTO: CELSO JUNIOR/AE 

 

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Na manhã desta sexta-feira, 21, Mercadante subiu à tribuna do plenário para dizer que ficaria, atendendo a um pedido de Lula. "Não tenho como dizer não para o presidente, como não tive como dizer muitas vezes". Mas, segundo o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Lula apenas "propôs uma conversa", guiado pela "relação histórica" que tem com Mercadante. "Não é um caso de intervenção".

 

Mercadante havia anunciado sua decisão de renunciar na manhã de quinta-feira, 20, em sua página no twitter. Pressionado pelo Planalto e sem comando sobre os demais parlamentares da legenda no Senado, Mercadante, logo cedo, postou sua mensagem. "Eu subo hoje (ontem) à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável", avisou. Ele adiou seu discurso para esta sexta e, à noite, depois de cinco horas de reunião com o presidente Lula, já havia desistido.

 

Em sua página do twitter hoje, Mercadante manteve durante todo o dia a versão de que havia recuado por conta de um apelo de Lula. "O presidente disse que sou imprescindível, apesar das divergências diante da postura do PT e do governo frente à crise do Senado", escreveu por volta das 16h30.

 

Em seu pronunciamento, Mercadante também justificou sua decisão dizendo que outras lideranças do partido o procuraram pedindo para que não deixasse a liderança do partido. O senador explicou que queria deixar o cargo porque se sente "frustrado" com a decisão do Conselho de Ética do Senado de arquivar todas as ações que foram movidas contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

Prova de que a interferência de Lula na decisão de Mercadante teve um peso bem menor do que a anunciada por ele é que o presidente já havia escolhido um candidato para a sucessão do petista - João Pedro (PT-AM), suplente do amazonense Alfredo Nascimento (PR), titular do Ministério dos Transportes.

 

Avisado na quarta-feira que o petista estava mesmo disposto a entregar o cargo, Lula nada fez. Lavou as mãos por achar "lamentável" a atitude do senador, que se recusou a ler a carta de Berzoini, absolvendo Sarney, no Conselho de Ética. "Se ele quiser renunciar, que renuncie", afirmou o presidente, segundo relato de assessores do Planalto.

 

Nos bastidores do governo, o comentário é que o líder do PT agiu para "ficar bem na foto" com os eleitores, já que é candidato a novo mandato.

 

Crise do partido

 

Ao detalhar o encontro entre o senador e o presidente, do qual participou, Berzoini disse que Mercadante ouviu que a atual crise é relevante, mas que não se trata de um episódio "definidor da vida política de um líder". "Ele tem uma contribuição enorme para dar ao governo no Senado e tem competência e história para isso. Seria um desperdício ele sair da liderança e ficar só como senador", continuou. "Foi uma decisão madura."

 

Berzoini negou que o PT esteja em crise por causa do apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Se fosse o caso, argumentou, as instâncias partidárias já teriam iniciado um movimento para questionar o posicionamento da direção. Dizendo ter conversado com membros da Executiva Nacional e dirigentes regionais da sigla, ele disse ter respaldo total para orientar o arquivamento das representações contra Sarney.

 

"Em momento algum eu penso que o PT tem que sacrificar bandeiras. Ele não deve, simplesmente, cair em ciladas", continuou, alegando que está em curso uma operação da oposição para desorganizar o PT e o governo. "O que está em jogo no Conselho de Ética é a luta política de 2010."

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