Berzoini foi a evento do PT com conta paga pelo governo

Ministério do Trabalho pagou R$ 170,90 por pernoite no Braston Hotel, em 2004, em dia que petista participou de conferência do partido em SP

Sônia Filgueiras, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Documentos remetidos pelo Ministério do Trabalho à CPI dos Cartões mostram que o ex-ministro da pasta Ricardo Berzoini teve despesas de hospedagem pagas pela União em uma viagem que incluiu um evento político do PT, em São Paulo. De acordo com notas fiscais obtidas pelo Estado, o ministério pagou R$ 170,90 ao Braston Hotel, correspondentes a uma diária pelo pernoite de Berzoini do dia 14 para 15 de maio de 2004. Conforme noticiário da época, no dia 14, Berzoini participou da Conferência Nacional de Estratégia Eleitoral realizada pelo PT no Hotel Transamérica, em São Paulo.A confusão de agendas foi tanta que o hotel chegou a cometer um equívoco, enviando ao gabinete uma nota fiscal em nome do PT. No campo destinado à identificação do destinatário da nota, os funcionários do hotel escreveram "PT, Partido dos Trabalhadores". Dias depois, o Brascon remeteu ao órgão uma retificação, na qual corrigiu o nome do destinatário da nota fiscal, modificando-o para "Ministério do Trabalho". De acordo com a nota fiscal, Berzoini deu entrada no hotel no dia 14, uma sexta-feira, e deixou-o no dia seguinte às 8h42.Na nota incluída na prestação de contas, constam o carimbo e a assinatura da funcionária do ministério Maria das Graças de Souza, identificada como "secretária do ministro do Trabalho e Emprego", atestando a execução da despesa. SUPRIMENTO DE FUNDOSAinda de acordo com os documentos contidos no processo de prestação de contas, o gasto foi coberto com recursos da rubrica orçamentária "suprimento de fundos", destinada a cobrir gastos emergenciais e despesas de viagens oficiais de ministros e do presidente da República. O suprimento de fundos também financia os gastos realizados por intermédio dos cartões corporativos.O evento petista freqüentado por Berzoini contou, ainda, com a participação de vários ministros do governo Lula e reuniu aproximadamente 1,5 mil pré-candidatos do partido às eleições municipais daquele ano, além de militantes e dirigentes do partido.Segundo declarações do presidente do PT na época, José Genoino, o objetivo do encontro era unificar o discurso do PT. Ministros do partido convidados para o encontro fizeram conferências reservadas, às quais a imprensa não teve acesso. Berzoini deixou o hotel por volta das 13h. Do lado de fora, foi abordado por jornalistas .A assessoria de imprensa do PT informou que o ex-ministro cumpriu agenda oficial em São Paulo naquele dia: representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura do 4º Congresso dos Metalúrgicos da CUT de São Paulo. "Mais cedo, o então ministro aproveitara sua estada em São Paulo para também participar da Conferência Nacional de Estratégia Eleitoral do PT, que acontecia no Hotel Transamérica, zona sul da cidade", informou a assessoria, por escrito.Ainda de acordo com a assessoria, Berzoini retornou a Brasília no dia 15. Procurada para informar se a conduta do ministro foi irregular, a Controladoria-Geral da União informou que só pode se pronunciar sobre casos concretos.MATILDEO escândalo dos cartões derrubou um ministro - Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial. Matilde pagou com o cartão R$ 175.428,55 em aluguel de carros, além de tê-lo usado numa compra em free shop. Orlando Silva, do Esporte, e Altemir Gregolin, da Pesca, embora não tenham caído, sofreram desgaste por conta de gastos incompatíveis com a finalidade do cartão corporativo. Silva usou o dinheiro de plástico para, entre outras coisas, pagar uma tapioca em Brasília. No caso de Gregolin, as despesas incluem hotéis, restaurantes e um gasto de R$ 70 em uma choperia.

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