Berzoini faz acusação a rivais

Ele sugere que há troca de cargo por apoio; depois recua

Marcelo Auler, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 Outubro 2007 | 00h00

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), insinuou que cargos em ministérios e prefeituras estão sendo negociados em troca de apoio a chapas que concorrem nas eleições para a presidência do partido. Ele levantou a suspeita no debate entre os candidatos ontem à noite, no Rio. Berzoini, que tenta a reeleição pela chapa Construindo um Novo Brasil, foi muito cobrado sobre a questão ética, por conta da crise do mensalão em 2005. Irritado, reagiu: "Se é para discutir ética, vamos discutir - sem fulanizar - se é correto um prefeito distribuir cargos de acordo com o apoio a uma chapa. Se é correto um ministério dar cargos em troca de apoios." Questionado depois do debate, ele alegou ter falado apenas em tese: "É apenas uma tese, não tem um caso específico que eu saiba", disse. "Não sei se tem quem saiba de algum. Se souberem, têm que falar." Para dois candidatos, porém, Berzoini fez sim uma denúncia. "Ele deveria colocar os fatos que conhece. Se existem transgressões no processo, que sejam colocadas abertamente", disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), da chapa Mensagem ao Partido. "Se está acontecendo, como presidente do partido ele tem que colocar nas instâncias partidárias e levar ao Conselho de Ética. Se for gente do meu lado, que fale." Para Valter Pomar, da atual Executiva Nacional e da chapa A Esperança é Vermelha, "é evidente" que ele fez uma acusação. "Reagindo às críticas que sofreu, referiu-se a alguém que criticou e também adota métodos que não são corretos. Como presidente do partido ele tem que explicar de quem está falando. Só sei que a frase não foi a nosso respeito." CABRAL No debate, outro que foi duramente criticado foi o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), por defender o aborto como forma de reduzir a marginalidade. Quem mais cobrou foi o candidato mais à esquerda, José Carlos Miranda, da chapa Um Programa Socialista para o PT, que classificou de "nojenta" a declaração: "Não é possível que um político fale uma barbaridade desta e não haja reação." Cardozo também cobrou uma posição: "O partido não pode aceitar pacificamente o que ele falou."

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