Berzoini diz apoiar Lula em declaração sobre passagens

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está "coberto de razão" ao dizer que vê muita hipocrisia nas críticas sobre o uso das cotas de passagens pelos deputados. "Não vejo problema nenhum quando um deputado traz para Brasília, com passagens pagas pela Câmara, sindicalistas ou pessoas relacionadas ao exercício de seu mandato", disse. "Também não vejo problema no fato de ele trazer a esposa para acompanhá-lo. O que não pode é usar as passagens para fazer lazer e turismo."

EUGÊNIA LOPES E VERA ROSA, Agencia Estado

02 de maio de 2009 | 13h33

Ontem, o presidente da República admitiu que, quando era deputado (entre 1987 e 1991), usou a cota de passagens da Câmara para levar sindicalistas a Brasília. No entanto, Lula deixou claro que não acha correto o uso dos bilhetes para turismo no exterior. Berzoini disse que a falta de regras deu margem a essa situação, porque havia na Câmara uma "cultura" de que os deputados tinham direito ao crédito. Apesar de afirmar que algo precisava ser feito para coibir os abusos, o presidente do PT avaliou que as novas normas contêm restrições exageradas.

"Não acho esse assunto importante o suficiente para rediscutirmos a decisão da Mesa Diretora, mas o fato é que, agora, as regras prejudicam o nosso trabalho com ativistas e militantes de movimentos de moradias", argumentou Berzoini. "Não posso mais convidar um professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), por exemplo, para fazer uma palestra na Câmara, a não ser que pague a passagem do próprio bolso."

Deputados de vários partidos usaram suas cotas de passagens com terceiros. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, 261 deputados usaram a cota da passagem aérea em viagens ao exterior entre janeiro de 2007 e outubro de 2008. Foram 1885 voos internacionais. As viagens ao exterior pagas pela Câmara custaram R$ 4,765 milhões. A Câmara e o Senado baixaram regras rígidas para evitar uso indiscriminado das passagens aéreas. Agora, nem deputados nem senadores poderão mais doar bilhetes para parentes e "conhecidos".

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