Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados

Berzoini avalia que operação da PF atrapalha votações, mas pede empenho dos líderes

Em reunião com lideranças, ministro da Secretaria de Governo solicitou que parlamentares votem propostas consideradas fundamentais para o Planalto, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA)

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 13h19

BRASÍLIA - Na reunião com vários líderes e vice-líderes de partidos da base aliada, no Palácio do Planalto, nesta terça-feira, 15, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, reconheceu que a nova operação da Polícia Federal, que cumpriu 53 mandados de busca e apreensão, inclusive nas casas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em Brasília e no Rio, "atrapalha" os planos do governo de votar no Congresso medidas importantes para o Planalto. Também são alvo da operação dois ministros peemedebistas: Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia).

Mas, mesmo assim, segundo parlamentares presentes ao encontro, Berzoini pediu "empenho" de todos para a votação de propostas consideradas fundamentais para o Planalto, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual (PPA), que serão apreciadas nesta terça em sessão no Congresso, marcada para as 19 horas. Se essas duas propostas não forem votadas, o governo fica impedido, novamente, de fazer qualquer gasto no início do ano que vem.

Os parlamentares, neste momento, estão divididos em relação à intenção do governo em suspender o recesso parlamentar, que, teoricamente, começa na semana que vem. Para que o Planalto consiga anuência dos líderes, de acordo com as conversas mantidas entre eles, seria necessária, pelo menos, uma parada para o Natal e Ano Novo e as duas primeiras semanas de janeiro. Caso contrário, não haverá concordância. Nesse caso, a própria presidente Dilma Rousseff teria de fazer a convocação extraordinária.

Renan. A esperança do governo é que, como a sessão que votará o PPA e a LDO é do Congresso (Câmara e Senado) e não apenas da Câmara dos Deputados, possa ser conduzida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sem maiores problemas. De qualquer forma, o Planalto avalia que há dificuldades porque a operação da PF atingiu em cheio inclusive fortes aliados do governo. Por isso a cautela em tratar do assunto.

Na reunião de líderes, Berzoini pediu ainda que os parlamentares governistas conversem com a oposição para tentar destravar as pautas que classificam como importantes para o País. Líderes governistas não veem clima para a realização de sessão da Câmara hoje, conduzida por Eduardo Cunha, embora não descartem que ele, com o comportamento que tem demonstrado, faça questão de comandar os trabalhos.

O novo líder do PMDB, Leonardo Quintão (MG), que entrou no lugar de Leonardo Picciani (PMDB-RJ), aliado do governo deposto pela ala liderada pelo vice-presidente Michel Temer, participou pela primeira vez da reunião de líderes. Temer e Dilma mantêm, no momento, apenas relações protocolares.

Segundo um dos presentes, Quintão, apesar de não ser governista, se mostrou colaborativo. Disse que o PMDB está disposto a limpar a pauta, votando o que é mais importante e mais urgente. Ele disse que o partido estaria disposto a comparecer para votar inclusive na semana que vem, semana do Natal, para ajudar a destravar a pauta. Ao chegar para a reunião, ele limitou-se a dizer  ao Estado que "decisão da Justiça tem de ser respeitada".

Articulação. Antes de embarcar para Minas Gerais, onde cumpre agenda oficial nesta terça, Dilma conversou com seus ministros e acertou a nota oficial divulgada pelo Palácio do Planalto. No texto, o governo diz esperar "que todos os fatos investigados na nova fase da Operação Lava Jato envolvendo Ministros de Estado e outras autoridades sejam esclarecidos o mais breve possível, e que a verdade se estabeleça".

A nota diz ainda que espera "que todos os investigados possam apresentar suas defesas dentro do princípio do contraditório, e que esse processo fortaleça as instituições brasileiras". No texto, o Palácio do Planalto evitou citar os nomes dos dois ministros do PMDB atingidos pela operação, que tiveram suas residências vistoriadas pela Polícia Federal.

Embora as primeiras informações divulgadas por fontes do Planalto sejam de que não há intenção da presidente Dilma, pelo menos por enquanto, em afastar os ministros peemedebistas que foram alvo da operação da PF, há uma preocupação muito grande com a extensão da operação e os estragos que possa provocar na já combalida base governista. O Planalto avalia que a relação com o PMDB vai piorar com esses nova ação da PF.

A Polícia Federal faz nesta terça-feira, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) uma operação de busca e apreensão na residência oficial da presidência da Câmara e endereços de Eduardo Cunha, em Brasília e  no Rio. O deputado é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-Geral da República, nas investigações da Lava Jato. A operação da PF tem outros alvos: além dos ministros do governo, os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Áureo Lídio (SD-RJ), o prefeito de Nova Iguaçu, Nelson Bornier (PMDB-RJ), o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto (aliado de Cunha e exonerado na semana passada pela presidente Dilma), Aldo Guedes – ex-sócio de Eduardo Campos -, Lúcio Bolonha Funaro – delator do Mensalão -, Altair Alves Pinto – emissário de propina de Cunha, segundo os investigadores – e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado foram alvo de busca e apreensão.

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