Bernardo pede que PT denuncie ruralistas

Ministro diz que o ?negócio é colocar facções em seu lugar?

Miguel Portela, CASCAVEL, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem à noite, em Cascavel, no oeste do Paraná, que os militantes do PT e os movimentos sociais devem continuar denunciando as ameaças de ruralistas e a formação de milícias armadas no campo. "Essas coisas não podem estar acontecendo porque pode morrer mais gente. O negócio é denunciar e colocar essas facções em seu devido lugar", declarou Bernardo, referindo-se aos produtores rurais. A declaração do ministro aconteceu durante um encontro com militantes petistas na Câmara de Vereadores de Cascavel. À vontade, Paulo Bernardo falou para uma platéia de aproximadamente 100 militantes, que durante uma hora e meia questionaram o ministro sobre vários assuntos. O confronto na fazenda da multinacional Syngenta, dia 21 de outubro, em Cascavel, que culminou com a morte de um sem-terra e um segurança, estimulou os militantes do partido a cobrarem uma posição do ministro e proteção aos movimentos sociais. "Acho que o governo do Paraná já está fazendo isso", disse o ministro, referindo-se às investigações da Polícia Civil sobre a formação de supostas milícias armadas para executar por conta própria as reintegrações de posse no Estado. Bernardo se comprometeu a conversar sobre o assunto com o ministro da Justiça, Tarso Genro.A Sociedade Rural do Oeste (SRO), que é acusada de fomentar a violência no campo, considerou "infelizes" as declarações do ministro. SUCESSÃOPaulo Bernardo também falou sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010. "Ainda é cedo para discutir as eleições de 2010, mas se o presidente Lula mantiver a atual popularidade fará o sucessor", disse. Ele afirmou estar convicto de que o PT chegará bem articulado em 2010 e conseguirá eleger o sucessor do presidente da República. E desdenhou a oposição. "Eu acho que eles (a oposição) vão ficar na chuva mais um pouco, o que é bom para eles treinarem a fazer oposição", declarou. Paulo Bernardo participou de vários encontros em Cascavel e Toledo, também no Paraná, para divulgar o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) a empresários e lideranças políticas.

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