Bernardo: EUA não deram explicação razoável sobre denúncia de espionagem

Segundo o ministro das Comunicações, todas as justificativas sobre situação 'revelaram-se falsas'.

Tânia Monteiro , O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2013 | 21h22

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou nesta terça-feira, 3, que os Estados Unidos não apresentaram, até agora, "nenhuma explicação razoável" para o "lamentável" episódio sobre novas denúncias de espionagem norte-americana no Brasil. As mais recentes envolvem, inclusive, o monitoramento da presidente Dilma Rousseff.

Segundo o ministro, todas as justificativas sobre a situação apresentadas pelos EUA "revelaram-se falsas". "Continuamos aguardando explicações", disse.

Na opinião do ministro das Comunicações, o interesse da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) é principalmente de caráter comercial e industrial. "Há interesse em saber sobre pré-sal e outras questões de peso", comentou o ministro, ao ressaltar que a situação "não é razoável".

Bernardo disse que os Estados Unidos causaram "um embaraço" não só para o Brasil, mas para outros países como México, Alemanha e França. "O mundo civilizado, com certeza está estarrecido com esta saliência dos órgãos de segurança norte-americanos", emendou.

Sobre a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a espionagem norte-americana, instalada nesta terça-feira no Senado, Bernardo disse que a determinação de Dilma é que o governo deve cooperar com as investigações.

Bernardo declarou que a ação norte-americana é "muito séria" e lembrou que a inviolabilidade das comunicações entre pessoas "é uma tradição das democracias há mais de 200 anos".

"Se nós temos notícia de que a presidente da República pode ter sido objeto de espionagem, de bisbilhotice, imagine o que não pode acontecer com o cidadão, com as empresas?", indagou. Na opinião do ministro, trata-se de uma "espionagem indiscriminada, que não tem a ver com segurança nacional".

O presidente em exercício, Michel Temer, que acredita na possibilidade de também ter sido espionado, comentou que a presidente Dilma "terá discernimento suficiente para decidir por conta própria se deve ir ou não ir", em referência à viagem para Washington, nos Estados Unidos, programada para 24 de outubro. "Acho que na via diplomática isso se resolverá a tempo de a presidente poder ir aos Estado Unidos", disse.

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