Bernardo e Carvalho processam assessora que denunciou caixa 2

O ministro de Planejamento, Paulo Bernardo, e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, apresentaram à Justiça queixa-crime contra Soraya Garcia, ex-assessora do comitê financeiro do PT de Londrina, que denunciou o envolvimento dos dois numa suposta utilização de caixa dois na campanha que reelegeu o prefeito petista Nedson Micheleti.A denúncia foi feita em junho do ano passado e, segundo Soraya, o PT gastou R$ 6,5 milhões e declarou despesas de apenas R$ 1,3 milhão, contra uma receita de R$ 1,1 milhão. Além de Bernardo e Carvalho, Soraya citou o envolvimento do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do presidente estadual do PT, deputado André Vargas. A denúncia de Soraya gerou a abertura de inquéritos na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal. Não só a eventual existência do caixa 2 passou a ser investigada, mas também, com base nas declarações de Soraya, a falsificação na prestação de contas oficial da campanha. Ações do PT conseguiram, no entanto, desde 23 de setembro, barrar a tramitação dos processos. Duas ações foram derrubadas, mas uma ainda aguarda julgamento no Tribunal Regional Eleitoral. Antes que as ações fossem trancadas, a PF havia constatado que o PT gastara pelo menos 10% acima do declarado. De acordo com Soraya - que chegou a ser convocada para falar na CPI dos Correios, mas seu depoimento foi cancelado minutos antes de começar - 70% dos recursos do caixa 2 foram utilizados para cobrir despesas de pessoal. A defesa de Soraya foi derrotada na semana passada ao ter negado, pelo juiz da 431ª Vara eleitoral, Jurandyr Reis Junior, pedido para que ela tivesse acesso aos documentos obtidos pela PF. O juiz justificou a negativa invocando o caráter sigiloso das investigações, que, segundo ele, envolvem informações sobre a movimentação financeira de pessoas e empresas acusadas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.