Bernardo diz que regular mídia não é prioridade em 2013

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reafirmou nesta terça-feira pouco ser favorável à regulamentação da mídia "como qualquer outro segmento" e "nos termos do que prevê a Constituição Federal", mas alertou que as discussões e um possível projeto sobre o assunto polêmico não são prioridade para este ano no governo. "Nós não conseguimos priorizar o tema nos últimos dois anos e me perguntaram se será prioridade agora. Esse ano a prioridade é um grande plano de investimento em infraestrutura em telecomunicações", disse o ministro.

GUSTAVO PORTO E RODRIGO PETRY, Agência Estado

02 Abril 2013 | 20h05

Bernardo deixou claro que o marco só poderá regular serviços públicos sob o regime de concessão, como rádio e televisão, e não internet, rádio e jornais. "Mas sou a favor de uma lei para regular o direito de resposta, que, aliás, foi o principal componente na regulamentação ocorrida na Grã-Bretanha aprovada no mês passado", exemplificou. "A Constituição não permite censura e garante livre expressão", completou.

O ministro evitou o embate com a presidente Dilma Rousseff, que seria contrária ao projeto de regulamentação dos meios de comunicação, e avaliou que ela poderia discutir o projeto caso lhe fosse apresentado. "Se tivermos o projeto e levar, ela vai avaliar", disse Bernardo, que elogiou um estudo feito sobre o tema pelo ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, e disse que o documento será aproveitado em um possível projeto.

Bernardo avaliou ainda a necessidade de se discutir a questão de oligopólios no setor de comunicações, mas considerou que, no Brasil "as grandes redes pertencem a muitos donos e não é o mesmo problema da Argentina", numa referência à intervenção do governo daquele país Grupo Clarín. "A característica daqui é diferente da Argentina. A disputa lá foi porque de fato o grupo tinha quase 100 licenças de TV por assinatura e outras", disse. "Aqui cada grupo pode ter cinco concessões de TV, quatro de rádios AM e seis de FM e só uma lei vai definir para restringir, para garantir ou ampliar esses direitos", concluiu.

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