Bernardo diz que reajuste do Bolsa-Família será de 7%, e não 8%

Em ano eleitoral, Lula reajusta programa; anteriormente, governo havia anunciado valor maior em 8%

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, de O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 16h43

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou nesta quarta-feira, 25,  que o reajuste dos benefícios do programa Bolsa-Família será de 7%, mas que alguns benefícios "terão os valores arredondados". Ele explicou, por exemplo, que o valor mínimo da Bolsa ficará em R$ 19,72, então, para facilitar o saque do dinheiro, o montante será arredondado para R$ 20. Por isso, alguns benefícios terão um reajuste um pouco maior do que 7%, mas não chegará a 8%, como anunciou mais cedo o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias.  Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com interlocutores, cobrou do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a concordância com os gastos necessários para a concessão do reajuste. O ministro vinha resistindo à idéia, mas Lula o pressionou a tomar uma decisão logo, já que, a partir de 4 de julho, o aumento no valor de benefícios para a área social estará proibido pela legislação eleitoral. O reajuste anterior havia sido concedido em julho do ano passado e começou a ser pago no mês seguinte, quando o benefício foi elevado em 18,25%.  Veja Também:Fome não pode esperar, justifica ministroEm ano eleitoral, Lula reajusta Bolsa-Família acima da inflaçãoVeja os principais programas sociais do governo Lula  Bernardo informou que o reajuste representa uma despesa a mais este ano de quase R$ 400 milhões. No entanto, o governo terá que fazer um aporte adicional de cerca de R$ 200 milhões porque havia uma sobra de R$ 180 milhões na dotação orçamentária do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.  O ministro do Planejamento explicou ainda que o governo não divulgará neste momento o corte de despesas que ocorrerá em cada ministério. Serão contingenciados um total de R$ 2,4 bilhões. Bernardo, contudo, explicou que como serão "ajustes fortes", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a ele que converse com todos os ministros antes de divulgar os valores de corte em cada pasta. Ele disse que esse detalhamento estará no relatório de programação orçamentária que chegará em julho ao Congresso Nacional.  O ministro disse que o governo considera "justo" o aumento dos valores dos benefícios do programa Bolsa-Família acima da inflação e afirmou não acreditar que o reajuste contribua para aumentar a inflação. Segundo ele, as categorias mais pobres são as que mais sofrem com a inflação.Questionado se o governo não estaria sendo o primeiro a reindexar a economia ao conceder um reajuste maior do que a inflação, Paulo Bernardo respondeu: "No caso do Bolsa-Família, o que pesou, o que sensibilizou no sentido de ajudar foi justamente (o fato de) que estamos reajustando o benefício destinado às famílias que são as mais pobres e mais vitimadas pela inflação." Segundo o ministro, os índices de aumento para esse grupo de famílias chega a mais de 8%. O que é Bolsa-Família  Criado em 2004, a partir da reforma e fusão de programas de transferência de renda já existentes, o Bolsa-Família beneficia famílias em situação de pobreza - com renda mensal por pessoa de R$ 60 a R$ 120 - e extrema pobreza - com renda mensal por pessoa de até R$ 60. Para permanecerem no programa, as famílias precisam cumprir determinadas condições, como a permanência das crianças de até 15 anos na escola, com freqüência mínima de 85%; e a atualização das carteiras de vacinação. Atualmente são atendidas 11 milhões de famílias (45 milhões de pessoas). Os benefícios variam de 18 a 172 reais por mês que são pagos a famílias com renda per capita de até 120 reais.  Uma das principais críticas que se faz a essa iniciativa é que abre portas de entrada para as famílias, mas não oferece portas de saída. Sem elas, o que deveria ser um programa emergencial, para ajudar os beneficiários a superarem situações de pobreza e miséria, tende a tornar-se permanente. Texto atualizado às 19h10

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