Bernardo: ato em defesa da democracia é 'conversa fiada'

O suposto autoritarismo do governo Lula denunciado pelo Manifesto em Defesa da Democracia, lançado ontem, em São Paulo, foi classificado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, como "conversa fiada". Homem forte do governo, Bernardo, que esteve hoje em Maringá (PR), considerou "muito esquisito" o ato promovido por um grupo de juristas - entre eles Hélio Bicudo, fundador do PT - nas Arcadas do Largo de São Francisco.

ROGÉRIO FISCHER, Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 18h13

Parte do pensamento jurídico e acadêmico que endossou o manifesto compara o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ditador italiano Mussolini por suas declarações hostis à imprensa, "Nós sempre defendemos a democracia", disse o ministro. Relacionando o manifesto com a cobertura jornalística de jornais, Bernardo disse que seria mais honesto se alguns órgãos de comunicação informassem, em editoriais, os candidatos de sua preferência.

"Alguns veículos querem se transformar em partidos políticos", afirmou o ministro. "Que eles tirem a máscara e defendam abertamente as candidaturas que eles apoiam", acrescentou. "Em época de eleição, nos Estados Unidos, o New York Times publica editorial na capa dizendo que apoia determinado candidato por isso, isso e isso", exemplificou.

O ministro disse que há na imprensa "um volume anormal de denúncias injustificadas", referindo-se aos recentes casos envolvendo suspeitas de tráfico de influência na Casa Civil. "Fiz uma assinatura de jornal para minha mãe, que tem 78 anos, e ela me ligou dias atrás para dizer que estão fazendo uma campanha danada para o Serra", afirmou. "É preciso um pouco de comedimento, essa campanha enrustida só reduz a credibilidade desses órgãos".

Visita

As declarações do ministro foram feitas hoje na cidade do norte do Paraná, onde Lula assinou ordem de serviço para obras de conclusão do rebaixamento da linha férrea no perímetro urbano do município, visitou a Vila Olímpica - construída com recursos federais - e discursou para lideranças políticas em almoço organizado pelos partidos que apoiam a candidatura de Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná.

O presidente permaneceu por cerca de cinco horas em Maringá. Parte do seu percurso só pôde ser acompanhado por repórteres de imagem. A imprensa não teve contato direto com Lula, que cancelou entrevista com jornalistas por duas vezes - na saída do ginásio Valdir Pinheiro e após o almoço, na Associação dos Funcionários da Cocamar Cooperativa Agroindustrial.

Nessa última, Lula empurrou Bernardo para perto dos cerca de 70 jornalistas credenciados. Questionado duas vezes se a visão dele era a mesma do presidente, o ministro foi evasivo e não respondeu diretamente, preferindo replicar comentários que já havia utilizado.

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