Bernardo admite 'descontrole' em cartões e anuncia mudanças

Em coletiva, ministro afirma que governo vai alterar sistema de prestações de contas de saques com os cartões

14 de fevereiro de 2008 | 11h08

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reconheceu nesta quinta-feira, 14, que houve erros nos gastos com cartões corporativos, segundo a rádio CBN. Ele afirmou que o governo vai alterar o sistema de divulgação dessas despesas, para que todos tenham acesso às informações sobre os saques realizados.   Veja também:   Entenda a crise dos cartões corporativos  Oposição adia reunião e Neuto aceita presidir CPI   "Quem faz um saque, quando gasta ele tem que trazer, apresentar as notas fiscais do seu gasto. Só que como isso fica numa pasta, o cidadão que queira verificar isso não tem acesso", disse. Segundo ele, o governo está providenciando uma alteração para que quem fez o gasto faça a prestação de contas no próprio sistema. Assim, todos os comprovantes de saques com o cartão ficarão disponíveis na internet, no Portal da Transparência.   O ministro afirmou que a mudança será implementada em no máximo 60 dias. Ele reconheceu ainda que o cartão tem que ser aperfeiçoado, pois "há evidências de descontrole".   'Marola'   Ao comentar a polêmica criada pela oposição em torno do assunto, o ministro questionou a sinceridade dos partidos oposicionistas. "Será que eles estão sendo sinceros quando dizem que querem apurar? No Estado de São Paulo estamos enfrentando o mesmo problema com os cartões do governo, os partidos que aqui querem CPI já decidiram que lá não querem. Acho que essa coisa é muito mais de fazer marola, de fazer oposição, legítima, normal, mas eu acho que a gente não tem que acreditar em tudo que eles dizem", disse.   Ele afirmou também que o governo errou ao não fiscalizar os gastos publicados no Portal da Transparência, mas defendeu o sigilo dos gastos da Presidência. Sobre a decisão do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio de entrar com um mandado de segurança no STF pedindo que seja liberado o acesso aos gastos do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro afirmou não ser contra a divulgar os gastos, mas disse que não se pode revelar o detalhamento deles por uma questão de segurança nacional.   Gasto menor   Ele afirmou ainda que os gastos de hoje são menores do que os de 2002. "Nós precisamos é melhorar ainda mais o controle, além de colocar na internet, melhorar os nossos mecanismos de verificação, cada repartição rever suas práticas. E o que é importante, além de melhorar qualidade com transparência, nós estamos gastando menos. Nós gastamos, em 2007, R$ 50 milhões menos do que em 2002", afirmou o ministro referindo-se ao fato de o governo Fernando Henrique ter usado um total de R$ 233 milhões em pagamento de despesas emergenciais, sendo R$ 229 milhões de contas de suprimento de fundos, as chamadas contas tipo B. Em 2007, os gastos foram de R$ 177 milhões, o que representa, segundo o ministro, 0,03% das despesas totais do governo.   Em 2008, Bernardo acredita que o governo gastará até R$ 40 milhões a menos, já que em 2007 as necessidades de gastos foram maiores devido ao envio da Força de Segurança Nacional e pessoal de apoio aos Jogos Pan-Americanos e também em função da realização dos censos rural, em 6,5 milhões de propriedades, e domiciliar, em municípios com menos de 170 mil habitantes, feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).   Diárias   Sobre a possibilidade de criar o mecanismo de pagamento de diárias a ministros no caso de viagens a trabalho, Paulo Bernardo confirmou que o governo está discutindo a questão, mas ainda não definiu se é a melhor forma de controlar os gastos. "A diária tem a vantagem que não dá fofoca. Mas, por outro lado, se o servidor não gasta tudo o que recebeu, fica com o dinheiro, não precisa prestar contas. Tem também a questão da diária - que hoje existe para servidores - ser pequena. Então, é uma situação que tem que ser resolvida, nunca você consegue ter a solução ideal", opinou.   (com Agência Brasil)  

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