Benefícios turbinam salários

Ministros têm jetons, auxílio-moradia e mais acréscimos

Sônia Filgueiras e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2008 | 00h00

Alvo de constante reclamação, os salários do primeiro escalão são turbinados por uma série de mecanismos. Um deles é o jetom por participação em conselhos de administração de empresas públicas. Pelo menos oito ministros e sete dos principais assessores da Presidência têm cargos em conselhos remunerados com jetons.Além disso, a maioria dos ministros recebe R$ 1,8 mil de auxílio-moradia, assim como cerca de 1,6 mil funcionários transferidos de outros Estados. Ressarcimento de mudanças, viagens, passagens e diárias também podem ser usados para completar o salário. Por isso, são itens checados com freqüência pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.Enquanto um ministro ganha R$ 10,7 mil mensais, uma participação em reunião de conselho de administração rende de R$ 2 mil e R$ 14 mil mensais, dependendo da empresa. Os salários de cargos comissionados de alto escalão, que variam entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, têm acréscimo de 25% a 50% pela simples presença do funcionário nas reuniões mensais ou bimestrais dos conselhos.A mais recente polêmica envolve o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado. A CGU abriu ontem investigação. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, ele recebeu R$ 18 mil ao deixar o Ministério da Previdência. A indenização é paga a funcionários transferidos para a capital que são exonerados e destina-se a cobrir custos de retorno à cidade de origem. Mas menos de um mês depois Machado foi empossado no cargo na Fazenda.Ontem, ele afirmou que fez tudo dentro da lei e não devolverá o dinheiro. "A única exigência é que o servidor resida originalmente em outras praças, tenha sido exonerado e se dirija ao local de origem imediatamente. Foi isso que eu fiz. Estou convicto do direito que tenho", disse, contando que voltou para a Receita Federal em São Paulo e lá ficou até ir para a Fazenda.Há outras situações. Em agosto, por exemplo, o Ministério Público entrou com ação contra 19 dirigentes da cúpula da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedindo o ressarcimento de R$ 1,5 milhão pelo recebimento irregular de passagens e diárias. Segundo a ação, os servidores faziam viagens particulares com dinheiro do governo.

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