Benefício do coquetel anti-HIV é menor com usuários de drogas

O coquetel de medicamentos anti-retrovirais aumentou a sobrevida dos brasileiros com Aids, mas o sucesso da terapia é desigual. Um estudo realizado em São Paulo mostra que a sobrevida de pacientes homossexuais cinco anos após a manifestação da doença cresceu 75% com o coquetel. No caso de heterossexuais, o porcentual é de 60% Entre usuários de drogas injetáveis, cai para 50%. Não pelo fato de usarem drogas, mas pela dificuldade de acesso à terapia. O estudo foi apresentado ontem na 15.ª Conferência Mundial de Aids por Artur Kalichman, representante do programa paulista de DST/Aids. Feito com pacientes do Centro de Referência e Tratamento, o levantamento é o primeiro do gênero na América Latina. Os resultados, no entanto, são similares aos de outros realizados na Europa e Estados Unidos. "Os usuários de drogas concentram as piores situações", disse Kalichman. "Eles vão menos vezes aos centros de tratamento, apresentam a pior situação da doença quando procuram tratamento, a menor escolaridade, o menor índice de prescrição e de adesão aos medicamentos." Pelo estudo, a primeira razão para diminuição da sobrevida é a dificuldade de acesso a serviços de saúde. A segunda, problemas para iniciar ou manter o uso do coquetel. Depois disso vem o fato de a contagem de células CD4 - que indicam a capacidade de auto-imunização - estar muito baixa. Em quarto lugar vem baixa escolaridade e, em quinto, o uso de drogas injetáveis. Para Kalichman, mais que um problema dos pacientes, o estudo detectou falhas dos centros de tratamento. "Precisamos ajudar usuários de drogas a lidar melhor com essas barreiras." Veja mais informações sobre a Conferência no link abaixo.

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