Benedita é acusada de ocupar terreno ilegalmente no Rio

O advogado da governadora Benedita da Silva (PT), Luiz Paulo Viveiros de Castro, disse que pode processar por danos morais a Carteira Hipotecária do Clube da Aeronáutica, que acusa a governadora de ocupar ilegalmente há 25 anos o terreno de sua casa no Morro Chapéu Mangueira, no Leme. A Carteira Hipotecária entrou na Justiça na última sexta-feira, com uma notificação para que Benedita desocupe o terreno em 30 dias.O advogado do Clube da Aeronáutica, Ércio de Andrade Braga, diz que a governadora e outras 29 famílias receberam um milhão de cruzeiros de indenização para deixar o Morro Chapéu Mangueira em 1977. Esse valor eqüivaleria hoje a R$ 451.472, corrigidos pelo IGP-DI, segundo cálculo da Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto (Andima). Benedita teria sido a única a permanecer no local. "A Caixa pagou IPTU por todos esses anos para ela morar lá, e ainda sofreu duas execuções fiscais por não pagar o imposto quando entrou em dificuldades financeiras", afirma. O advogado diz que o IPTU anual é de R$ 13 mil.Segundo Braga, Benedita estaria ocupando o terreno em comodato verbal. Ele quer que a governadora deixe a área ou compre a propriedade. "Não vamos negociar com eles porque eles não têm legitimidade. Podemos processá-los por danos morais", reagiu Viveiros de Castro. "Não há comodato verbal. É posse mansa e pacífica. Eles mesmos reconhecem que ela está ali há no mínimo 25 anos", disse.Para o advogado, a ação é uma tentativa de "fazer tumulto". Ele diz que a família de Benedita foi indenizada para que deixasse uma área de risco. O barraco foi demolido e eles construíram uma casa ao lado. Viveiros de Castro diz que a governadora planeja criar uma fundação de desenvolvimento comunitário e a casa seria a sede do projeto. Hoje, o local onde Benedita morou até três anos atrás é palco de famosas feijoadas preparadas por ela mesma, sempre no dia 13 de maio, aniversário de um dos seus netos. A governadora está em Washington e deve voltar amanhã ao Brasil.

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