Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Bendine costumava pagar quantias altas em dinheiro, afirma pedreiro

Construtor da casa do presidente da Petrobrás em Conchas (SP) diz que desembolsos em espécie superavam R$ 20 mil

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 05h00

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Conchas (SP) - O novo presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, fazia pagamentos de valores superiores a R$ 20 mil em dinheiro na região de Conchas (SP) onde possui uma casa. A informação é do pedreiro João Carlos Camargo, responsável pela construção da casa, e foi confirmada ao Estado por dois comerciantes da região sob a condição de não terem seus nomes revelados. 

Camargo, de 59 anos, acusa Bendine de não ter pago R$ 36 mil referentes à mão de obra para a construção da piscina da residência, uma das maiores da cidade. Bendine, por meio de nota, negou tanto a dívida quanto os pagamentos em espécie.

João Camargo é a segunda pessoa que trabalhou para Bendine a relatar o hábito do executivo de carregar altos valores em dinheiro. No ano passado Sebastião Ferreira da Silva, ex-motorista do Banco do Brasil, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que fez diversos pagamentos em espécie a mando de Bendine. 

Confira o vídeo da entrevista:

 

 

O pedreiro e o presidente da Petrobrás se conheceram em 1981, quando Bendine chegou a Conchas, a 210 km de São Paulo, para trabalhar como caixa na agência do Banco do Brasil na cidade de 17 mil habitantes. 

“Ele também gostava de esporte, começamos a jogar bola juntos até que pegamos uma amizade”, lembra Camargo, o mais velho de três irmãos pedreiros conhecidos na região pela qualidade das construções. 

Em 2005, já ocupando uma diretoria do Banco do Brasil, Bendine decidiu demolir a velha casa da família e construir um imóvel que se destaca no centro da cidade. Camargo foi escolhido para tocar a obra. 

A construção demorou mais de dois anos e o custo da mão de obra foi dividido em três partes. A primeira, de R$ 135 mil, era para a construção principal. A segunda, no valor de R$ 30 mil, era referente a obras complementares e a terceira, de R$ 36 mil, à piscina e churrasqueira, de acordo com o pedreiro. 

Segundo Camargo, as duas primeiras partes foram totalmente quitadas em parcelas. Os pagamentos que superavam R$ 7 mil eram feitos em espécie. 

“Às vezes ele ia até o banco e sacava. Às vezes já vinha de Brasília com o dinheiro em um envelope”, disse. 

‘Fio do bigode’. O pedreiro não possui contrato nem recibos. De acordo com ele, Bendine se recusou a pagar os R$ 36 mil restantes alegando que os valores pagos anteriormente estavam acima do valor do mercado. Segundo o advogado Julio Del Vigna, Camargo não quis cobrar a dívida na Justiça porque “é do tipo que faz as coisas na base da confiança, no fio do bigode”. 

Além de construir a casa, o pedreiro diz que era encarregado de gerenciar a obra e outros pequenos serviços, entre eles pagar os fornecedores. Dois comerciantes da região confirmaram ao Estado, com a condição de não terem seus nomes revelados, que receberam valores superiores a R$ 5 mil, em espécie, para pagamento de materiais usados na construção.

Camargo diz que foi encarregado por Bendine de entregar em um só dia R$ 22 mil ao vendedor de um carro que seria dado de presente pelo aniversário de 18 anos da filha do executivo, em Piracicaba, e fazer um pagamento de R$ 17 mil ao fornecedor de materiais para a piscina, em Laranjal Paulista. “Eu inclusive falava para ele que era perigoso”, disse.

O pedreiro afirmou ter sido ameaçado por seguranças do BB quando Bendine já ocupava a presidência do banco.

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